Política

PL terá 121 deputados e 28 senadores em 2027, e Lula precisará do centrão para governar

Com 64 milhões de votos, Lula enfrenta Congresso onde o PL tem a maior bancada nas duas Casas. Veja os números e o que dizem os cientistas políticos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito em outubro com 64 milhões de votos, o maior total absoluto da história das eleições presidenciais, mas começará o novo mandato diante de um Congresso em que o PL será o maior partido nas duas Casas. A conta foi apresentada por cientistas políticos num seminário da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e publicada na terça-feira, 3, pela Agência Brasil.

Como fica a composição do Congresso em 2027

Pelo resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, o PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, segundo levantamento do SBT News. O PT vem em seguida, com 70, e depois União Brasil (46), PSD (43), PP (41) e Republicanos (41).

No Senado, o Poder360 calculou 28 senadores do PL a partir de fevereiro: 19 eleitos neste ano e 9 com mandato até 2031. O PT terá 9, o MDB 8 e o PP 6. Duas vagas ainda podem mudar de dono antes da posse, por causa da ida de senadores eleitos para governos estaduais, e o tamanho final das bancadas depende dessas substituições.

O professor Lúcio Rennó, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), disse que, somando PP e Republicanos ao PL, a direita passa de metade das cadeiras no Congresso. Para ele, o maior obstáculo à formação de uma maioria governista é justamente o avanço dos parlamentares ligados a Bolsonaro nas duas Casas.

O que os cientistas políticos esperam do novo mandato

Cláudio Couto, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que o centrão terá papel decisivo na tentativa de montar maioria, sobretudo na Câmara. Ele lembrou que o primeiro teste da articulação será a eleição das presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. Para Rennó, quem ocupa esses cargos define a pauta legislativa, controla a abertura de processos de impeachment e tem peso em nomeações, como as de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da distribuição de emendas parlamentares.

Couto também previu que os projetos do Executivo terão de incorporar, desde a redação, os interesses dos partidos da base, com negociação em torno de "cada palavra do texto". A Casa Civil, na avaliação dele, será a peça de mediação entre os partidos que ocupam ministérios e as bancadas no Congresso.

Lula tem dito em discursos que o cenário não é tão adverso e que pretende construir pontes com o Parlamento, segundo a Agência Brasil.

Os dois professores citaram temas que a oposição pode levar à mesa de negociação. Um deles é a maioridade penal. Couto avaliou que a redução para 16 anos seria uma proposta intermediária, já que setores mais à direita defendiam 14 anos em casos de crimes hediondos. O assunto foi separado da PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado por 75 a 0 na terça-feira, e segue em proposta paralela.

O outro tema é o Judiciário. Rennó atribuiu a vitória do PL, principalmente no Senado, à insatisfação popular com o STF. "Com a sua legitimidade abalada, não só a discussão do impeachment volta à tona, mas a de reformas profundas", afirmou. Entre as propostas em debate, segundo a reportagem, estão tirar da Corte atribuições da Justiça Penal e impor mandatos aos ministros. O envolvimento de ministros com o Banco Master está entre as críticas citadas no seminário.

A tramitação já dá uma amostra da disputa por maioria: o Centrão ainda não fechou com PL nem PT na PEC do voto distrital misto. A eleição das mesas diretoras, em fevereiro, será a primeira medição de força do novo Congresso.