PL lança Rogério Marinho à presidência do Senado e põe voto aberto e STF no centro da disputa
Senador precisa de 41 votos em fevereiro e de ao menos 12 fora do PL para enfrentar Davi Alcolumbre
O Partido Liberal (PL) oficializou na quarta-feira, 4, a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado para o biênio 2027-2028. O anúncio veio depois de reunião da bancada em Brasília. O adversário previsto é o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que articula a recondução.
A eleição da Mesa Diretora está marcada para a primeira semana de fevereiro de 2027, por voto secreto. Vence quem reunir maioria absoluta dos 81 senadores, ou seja, 41 votos. O PL terá 29 cadeiras na nova legislatura, a maior bancada isolada, segundo a Tribuna de Jundiaí e A Crítica de Campo Grande.
Marinho tem 62 anos, é economista e hoje lidera a oposição no Senado. Foi ministro do Desenvolvimento Regional e secretário de Previdência no governo de Jair Bolsonaro, e coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência neste ano.
Os votos que faltam
A conta é apertada. Mesmo com todos os 29 senadores do partido, Marinho precisa de pelo menos 12 votos de fora da legenda. Ele citou conversas iniciais com parlamentares do PP e do Republicanos.
Alcolumbre já tem apoio formal da federação União Brasil-PP, além de integrantes do MDB e do PSD e da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme a Tribuna de Jundiaí.
O ponto mais delicado para a oposição é a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também se coloca como candidata. Aliados de Marinho avaliam que dois nomes conservadores na urna dividem o voto e podem entregar a reeleição a Alcolumbre. Marinho e o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), disseram que querem unificar o bloco antes da votação.
Voto aberto, anistia e impeachment de ministros
Ao apresentar a candidatura, Marinho defendeu mudar o regimento para que a escolha da Mesa seja em voto aberto. A regra em vigor prevê votação secreta. Ele também declarou apoio ao projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e cobrou o cumprimento da proporcionalidade partidária na distribuição das comissões.
Sobre os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que cabe ao presidente do Senado analisar, o senador afirmou: "Nós não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição. O desafio é que nós não seremos omissos, porque ninguém está acima da lei. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, nós não seremos omissos".
O assunto pesa na disputa. Em reportagem de 13 de setembro, o Poder360 contou que havia 109 pedidos de impeachment de ministros do STF protocolados no Senado e que senadores viam na resistência de Alcolumbre em dar andamento a eles um fator capaz de enfraquecer a tentativa de continuar no comando da Casa. A mesma reportagem já apontava Marinho e Tereza Cristina como os nomes com força para disputar a presidência.
O mandato de Alcolumbre termina em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, o Resenhando acompanha o tamanho do bloco que cada lado consegue reunir. Para a oposição, o primeiro teste é o acerto entre PL e PP. A Casa já tem outros temas travados pela presidência, como as 19 representações paradas no Conselho de Ética, e o recesso sem votação da PEC da Segurança.
Fontes: Tribuna de Jundiaí e A Crítica (4/11/2026), Poder360 (13/9/2026).