Senado do Paraguai destitui Santiago Peña por 44 votos; Alliana assume e ex-presidente é detido em casa
Juízo político no caso do banco Ueno terminou sem a presença de Peña; Fiscalía ordenou detenção domiciliar e Lula felicitou o novo presidente
O Senado do Paraguai destituiu nesta sexta-feira, 6, o presidente Santiago Peña, de 47 anos, por "mau desempenho de funções", em juízo político realizado sem a presença dele. Todos os 44 senadores presentes votaram pela condenação. Horas depois, o vice Pedro Alliana jurou como novo presidente e a Fiscalía mandou detê-lo em casa, no caso do banco Ueno.
A informação é da agência EFE, publicada pelo jornal paraguaio ABC Color, e da Agência Brasil, que confirmou a prisão domiciliar. Peña foi o segundo presidente paraguaio a perder o cargo por juízo político, depois de Fernando Lugo, em 2012.
O que levou à destituição
A crise começou quando o Banco Central do Paraguai (BCP) abriu um procedimento de resolução do Ueno, banco digital com 2,9 milhões de clientes num país de 6,1 milhões de habitantes. Segundo a EFE, a instituição recebeu, durante o governo Peña, recursos de entidades públicas. Poupadores relataram não conseguir acessar o dinheiro, entre eles 32 mil aposentados do Instituto de Previsão Social (IPS).
Os deputados que atuaram como acusadores disseram que o fechamento do banco fez o país perder cerca de US$ 1,2 bilhão. Peña tinha apresentado renúncia na quinta-feira, 5, mas o Congresso não votou o pedido por falta de quórum, e o processo seguiu. Antes da votação, ele escreveu na rede X que renunciou para evitar mais danos ao país. Os advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda fizeram a defesa.
O ABC Color lista cinco motivos da condenação: conflito de interesses e cooptação do Estado, manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS, estouro de limites de crédito no Ueno com suposto encobrimento do BCP, benefício patrimonial indevido e dano à confiança no sistema financeiro. A Constituição paraguaia dá a ex-presidentes eleitos o título de senador vitalício, exceto se condenados em juízo político. Peña perde o título e o foro.
Detenção e novo governo
A Fiscalía registrou a ordem na Nota 97, de 6 de novembro, dentro da Causa 92/2026, por suposta lesão de confiança e outros crimes. A ordem alcança também o ex-presidente do BCP, Carlos Carvallo. Segundo o ABC Color, o fiscal Christian Benítez disse que Peña colaborou e deixou os agentes entrarem. Ele fica detido em casa e deve comparecer à Fiscalía neste sábado, 7, às 11h. A defesa não comentou a ordem nas notas consultadas.
Alliana cumpre o mandato até 15 de agosto de 2028. O senador Antonio Barrios deixou a cadeira para assumir a vice-presidência. Alliana prometeu compensar integralmente os afetados pelo "descalabro financeiro". As agências Moody's e S&P disseram que as notas de crédito do Paraguai não sofrem impacto imediato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) felicitou Alliana na rede X e disse esperar trabalhar com ele "de maneira aberta, franca e cooperativa". Antes, o Resenhando noticiou a renúncia de Peña e a decisão do Senado de negar prazo à defesa. O próximo passo é a audiência na Fiscalía, no sábado.