Paraguai pede ao Brasil a devolução de troféus da Guerra do Paraguai
Vice-presidente Pedro Alliana entregou nota ao embaixador brasileiro em Assunção após declaração de Lula de que o país vizinho invadiu o Brasil
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, entregou ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes, uma nota que pede a devolução de troféus da Guerra da Tríplice Aliança. O documento foi apresentado na sexta-feira, 31 de julho, no Palácio do Governo, e a informação foi divulgada pelo Poder360.
A nota faz três pedidos: a devolução do Canhão Presidente López e do Canhão Cristiano, junto dos demais troféus de guerra retidos pelo Brasil; a entrega de cópias dos documentos históricos sobre o conflito guardados em arquivos brasileiros; e o reconhecimento das resoluções aprovadas pelo Congresso paraguaio sobre o tema.
A convocação da reunião ocorreu depois de uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 24 de junho, ao tratar do fortalecimento militar, Lula afirmou que "o Paraguai um dia invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai".
"Defendemos a verdade histórica com firmeza", declarou Alliana. Segundo o vice-presidente, a conversa com o embaixador transcorreu em tom amistoso, e ele reafirmou a cooperação bilateral em iniciativas como Itaipu e Mercosul. Não houve manifestação oficial do Itamaraty sobre o pedido até a publicação desta reportagem.
O que são as peças reivindicadas
Os dois canhões estão entre os símbolos materiais mais conhecidos do conflito. O Cristiano, fundido no Paraguai durante a guerra, é uma peça de artilharia de grande calibre tomada pelas forças aliadas e trazida ao Brasil como troféu, ao lado do Presidente López.
A Guerra do Paraguai foi travada entre 1864 e 1870 e opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. É o maior e mais sangrento conflito armado da história da América do Sul, e a disputa sobre como narrá-lo permanece viva nos dois países.
Pedidos de restituição de bens tomados em guerra têm precedentes na diplomacia internacional e costumam envolver acervos de museus, com negociação caso a caso. No Brasil, peças desse período integram acervos militares e museológicos públicos.
A relação entre Brasília e Assunção tem outros temas abertos na mesa, entre eles a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das bases financeiras da usina binacional, e a agenda comercial do Mercosul citada pelo próprio vice-presidente.
O episódio se soma ao desgaste recente do Brasil com governos vizinhos. O Resenhando publicou a mais recente troca de farpas entre o presidente argentino e Lula em Milei volta a atacar Lula em entrevista.