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Milei repete acusações a Lula e Brasil convoca embaixador para consultas

Em entrevista ao canal LN+, o presidente argentino disse que o brasileiro foi solto por falha processual; Itamaraty chamou o embaixador argentino para pedir explicações

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao canal argentino LN+, no domingo, 2 de agosto. "Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso", disse. Segundo Milei, o brasileiro deixou a prisão por uma falha no procedimento, e não por ser inocente. Ao ser questionado sobre o teor das declarações, respondeu: "A pergunta é: eu menti?".

As condenações a que Milei se refere foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, que declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos e, depois, a suspeição do então juiz Sergio Moro. Com a anulação, Lula recuperou os direitos políticos e disputou a eleição de 2022.

As primeiras acusações foram feitas uma semana antes, sem citar o nome de Lula, durante o ato de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, em São Paulo. Na entrevista de domingo, Milei afirmou que as declarações foram espontâneas e que fazem parte de sua militância ideológica.

A resposta do governo brasileiro

O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil na Argentina para consultas, em razão das ofensas proferidas. É a medida diplomática que antecede a redução formal de representação e sinaliza insatisfação sem romper relações.

O governo brasileiro também convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar repúdio e pedir explicações pelas agressões dirigidas a Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno atuou para reduzir a temperatura e afirmou não haver possibilidade de ruptura com o Brasil, principal parceiro comercial do país.

O que está em jogo na relação bilateral

O Brasil é o maior destino das exportações argentinas e o principal fornecedor de bens industriais ao país vizinho. Os dois governos são sócios no Mercosul, bloco que negocia a implementação do acordo com a União Europeia e que depende de consenso entre os quatro membros plenos para avançar em qualquer frente tarifária.

A crise se dá em ano eleitoral no Brasil, com Milei já engajado publicamente na campanha de Flávio Bolsonaro. A intervenção de um chefe de Estado estrangeiro em disputa doméstica é o ponto que o Planalto tem levantado nas conversas diplomáticas.

Procurada, a Embaixada da Argentina em Brasília não havia se manifestado publicamente sobre a convocação até a publicação desta reportagem. A Presidência da República também não divulgou nota assinada por Lula em resposta às declarações.

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