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Presidente do Paraguai renuncia após quebra do Banco Ueno e impeachment

Santiago Peña renunciou após a Câmara abrir impeachment pela quebra do Banco Ueno. O Congresso decide se aceita a renúncia.

Neste texto3 tópicos
  1. O que acontece com a renúncia
  2. Por que o Banco Ueno derrubou o governo
  3. Quem assume e o que vem agora

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, do Partido Colorado, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5, depois que a Câmara dos Deputados do país aprovou a abertura de um processo de impeachment contra ele. A crise nasceu da quebra do Banco Ueno, o maior banco digital paraguaio, dissolvido pelo Banco Central do Paraguai (BCP) na terça-feira, 3, por insolvência.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, Peña disse ter decidido renunciar para preservar "a estabilidade do nosso país, a paz social" e as instituições democráticas. Ele afirmou agir "com absoluto respeito à Constituição Nacional". A informação foi publicada pelo Metrópoles e noticiada por G1, Folha de S.Paulo, Poder360 e Gazeta do Povo.

O que acontece com a renúncia

A renúncia ainda depende do Congresso paraguaio, que decide se a aceita. Se recusar, o processo de impeachment segue. O pedido foi apresentado por 35 deputados, inicialmente da oposição, e depois ganhou a adesão da bancada do próprio partido governista. O Congresso também deu os primeiros passos para votar o afastamento do vice-presidente, Pedro Alliana.

Peña tem 47 anos, é economista e foi eleito em abril de 2023, no lugar de Mario Abdo Benítez, também colorado.

Por que o Banco Ueno derrubou o governo

O BCP declarou o Ueno insolvente em 3 de novembro, suspendeu as operações e abriu um procedimento de resolução. Milhares de clientes ficaram sem acesso ao dinheiro. O Ministério Público pediu investigação criminal e a prisão de dois dirigentes do banco, por suspeita de gestão irregular e de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador.

O ponto mais sensível para o presidente é pessoal. Segundo o Metrópoles, Peña foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa relacionada ao grupo que controlava o banco. A crise também alcançou o BCP: Carlos Carvallo, presidente da autoridade monetária desde 2023 e ex-presidente do Banco Ueno, deixou o cargo. A oposição acusa o Banco Central de ter encoberto irregularidades.

Peña disse ainda que o governo ressarciria os clientes do banco, segundo o Metrópoles. O Ministério Público não detalhou, nas notas publicadas até agora, quanto os clientes têm a receber.

Quem assume e o que vem agora

A cobertura publicada até a tarde de quinta não informa a data da votação no Congresso nem quem comandaria o Executivo se a renúncia for aceita. O vice, Pedro Alliana, também é alvo de pedido de impeachment, o que mantém o desfecho em aberto. A Presidência paraguaia não havia divulgado outros detalhes até a publicação desta matéria.

No Brasil, o caso ganhou o apelido de "Master do Paraguai" na imprensa, em referência à quebra do Banco Master. Sobre os reflexos da política americana na direita internacional, leia também como a extrema direita europeia reage à derrota republicana nos EUA.