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Extrema direita europeia se afasta de Trump após derrota republicana nos EUA

Bardella, Weidel, Salvini e Farage atribuem o resultado das eleições americanas à guerra com o Irã e ao custo de vida, segundo a Reuters

Líderes da extrema direita europeia passaram a tomar distância de Donald Trump depois da vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3). O movimento foi descrito pela agência Reuters em reportagem publicada nesta quinta-feira (5), reproduzida pela Agência Brasil. Quase todos atribuem o resultado à guerra com o Irã e ao custo de vida, e poucos criticam o presidente americano pelo nome.

A mudança de tom chama atenção porque vários desses políticos comemoraram a afinidade ideológica com Trump depois da eleição de 2024. Alguns visitaram Washington desde então e receberam o apoio do bilionário Elon Musk, aliado do presidente. A derrota republicana já havia sido tema no Resenhando, em reportagem sobre o resultado nas duas Casas do Congresso americano.

O que cada líder disse

Líder e partidoPaísDeclaração registrada pela Reuters
Jordan Bardella, Reunião NacionalFrançaO segundo mandato de Trump foi menos isolacionista que o primeiro, de 2017 a 2021
Alice Weidel, Alternativa para a Alemanha (AfD)Alemanha"A promessa quebrada agora voltou para assombrar os republicanos", ao site T-Online
Matteo Salvini, LigaItáliaO resultado foi influenciado por guerras, tensões internacionais e custo de vida
Roberto Vannacci, Futuro NacionalItáliaTrump "não correspondeu às expectativas", segundo disse à agência ANSA
Santiago Abascal, VoxEspanhaDisse estar "na Espanha e não em Michigan"
Rupert Lowe, Restore BritainReino UnidoChamou o ataque ao Irã de "erro catastrófico"
Nigel Farage, Reform UKReino UnidoFalou em "derrota completa e total" dos republicanos

Weidel, colíder da AfD, lembrou que Trump havia prometido aos eleitores não seguir uma política externa intervencionista. Salvini, cujo partido integra a coalizão de governo na Itália, afirmou que as consequências das guerras e da alta de preços recaem diretamente sobre as famílias.

Vannacci, ex-general que já elogiou o nacionalismo "America First", afirmou que Trump foi incapaz de encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia e abriu uma frente contra o Irã. Para ele, a alta da energia e a turbulência no mercado de ações atingiram a classe média americana e pesaram nas urnas.

Lowe, por sua vez, escreveu em uma longa postagem no X que a guerra não rendeu "absolutamente nada de valor", mas não citou o nome do presidente que a iniciou. Farage, que costuma exibir a amizade com Trump e esteve na Casa Branca no ano passado, reconheceu na quarta-feira (4) a derrota e disse à GB News que há "potencial" para um desentendimento entre o presidente e o vice, JD Vance. Segundo ele, muitos jovens que seguem influenciadores de direita e votaram em Trump em 2024 votaram nos democratas desta vez, por causa da guerra prolongada e do preço do combustível.

Por que o distanciamento compensa

Para Mujtaba Rahman, diretor-gerente do Eurasia Group, a razão é eleitoral. Em entrevista à Reuters, ele disse que a impopularidade crescente de Trump, sobretudo no custo de vida, "corre o risco de transformar o que antes era um trunfo político em risco eleitoral". Na leitura do analista, esses líderes querem o "impulso ideológico do trumpismo" sem o "caos e a perturbação econômica" da presidência.

Bardella lidera o Reunião Nacional, que, segundo a maioria das pesquisas citadas pela Reuters, poderá formar o próximo governo da França.

Houve quem remasse contra a corrente. Dan Dungaciu, vice-presidente da Aliança para a Unificação dos Romenos, partido de oposição na Romênia, disse que as notícias sobre a "morte política" de Trump eram "muito exageradas".

O próprio Trump reconheceu que a guerra com o Irã teve peso nas derrotas do Partido Republicano, mas afirmou que mantém sua decisão.

A reportagem da Reuters foi publicada em 5 de novembro de 2026 e assinada por Crispian Balmer, Ludwig Burger, David Latona e Luiza Ilie, de Londres. O texto original está na Agência Brasil.