Eleitores dos EUA votam hoje com inflação alta e a economia de Trump no centro da cobrança
Desemprego de 4,2%, PIB de 3,4% e preços 5,5% mais altos: o que os números dizem no dia em que os EUA votam o Congresso.
Cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça-feira, 3, nas eleições de meio de mandato, que definem se os republicanos do presidente Donald Trump mantêm o controle do Congresso. Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 do Senado e os governos de 36 dos 50 estados, segundo a Agência Brasil.
Trump não está na cédula, mas o histórico econômico do governo dele pesa na escolha. A mesma agência registrou, na véspera, que preços altos e em alta dominam a atenção do eleitorado, e que muitos atribuem a inflação às tarifas e à guerra com o Irã.
O que dizem os números
O quadro tem dois lados, e o governo cita o primeiro. A taxa de desemprego foi de 4,2% em setembro e não passou de 4,5% por cinco anos seguidos, o período mais longo já registrado. Os pedidos semanais de seguro-desemprego estão perto da menor marca em 57 anos. A economia cresceu 3,4% ao ano no último trimestre, o melhor resultado de 2026, e os investimentos das empresas avançaram 12,7% no mesmo ritmo anualizado, puxados pela demanda ligada à inteligência artificial.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC na semana passada que as pesquisas com consumidores "podem parecer um pouco pessimistas", mas que o comportamento de consumidores e empresas "está bastante sólido".
O outro lado é o preço. Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, tanto os preços ao consumidor quanto a remuneração média por hora subiram cerca de 5,5% desde janeiro de 2025. Na prática, o trabalhador americano não ficou mais pobre nem mais rico em poder de compra desde que Trump assumiu. Durante boa parte do mandato, os salários subiam mais rápido que os preços. Isso mudou no início do ano, depois que os EUA e Israel atacaram o Irã, em uma guerra que já dura oito meses e encareceu os combustíveis no mundo todo.
O Federal Reserve, o banco central americano, elevou os juros em setembro e deve subir de novo em dezembro, segundo a reportagem. O presidente do Fed, Kevin Warsh, chama o aperto de "remédio monetário". Os financiamentos imobiliários de 30 anos passaram de 7% ao ano, o que, somado à escassez de oferta de imóveis, deixou a casa própria fora do alcance de muita gente.
Os indicadores de confiança do consumidor divergem. O do Conference Board melhorou em outubro, enquanto o da Universidade de Michigan ficou perto da pior marca já registrada. Resultados de empresas como Amazon e Intel também levaram o Nasdaq a uma queda acentuada nos últimos dias.
O que está em jogo no Congresso
As duas Casas têm hoje maioria republicana apertada. Pesquisas indicam vitória dos democratas, e a média calculada pelo jornal The New York Times mostra desaprovação de 61% a Trump contra 36% de aprovação. Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos vencerem na Câmara e no Senado e fez campanha pelo país nos últimos dias. Perguntado por jornalistas na semana passada sobre dúvidas que levanta quanto à segurança do sistema eleitoral, disse que respeitaria o resultado "se forem eleições honestas".
Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, avaliou à Agência Brasil que o controle da Câmara pesa na fiscalização do Executivo e o do Senado, na confirmação de autoridades e juízes. Ele afirmou que uma maioria democrata poderia abrir investigações sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA, mas ponderou que isso "não é automático". O Resenhando já tratou do tema em matéria sobre o que cada partido disputa nas urnas e das relações entre os dois governos em reportagem sobre a posição do secretário de Estado Marco Rubio.