Edinho Silva, com aval de Lula, quer expulsar o 'centrão petista' do PT
Presidente do PT fala em 'divórcio litigioso' com dirigentes acusados de omissão no segundo turno; Quaquá reage e pede conversa com Lula
O presidente do PT, Edinho Silva, trabalha com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afastar do partido uma ala apelidada internamente de "centrão petista", segundo a Folha de S.Paulo, em texto reproduzido pelo Jornal de Brasília. O primeiro alvo é o prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente da sigla, Washington Quaquá, que vai pedir uma reunião com Lula após ser ameaçado de expulsão, segundo a coluna de Milena Teixeira, no Metrópoles, publicada nesta terça-feira, 3.
O embate nasceu na reunião da Executiva Nacional do PT na quinta-feira, 29. Edinho propôs a saída voluntária de dirigentes que, na avaliação dele, se omitiram na campanha, e chegou a falar em "divórcio litigioso", expressão que, na leitura dos presentes, significa expulsão. A Folha relata que alguns desses dirigentes tiraram férias durante o segundo turno, quando Lula precisava de uma virada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao encerrar a reunião, Edinho contou que havia saído de um café com Lula e que conversara com o presidente na véspera sobre o futuro do partido. Repetindo uma avaliação atribuída a Lula, afirmou que o PT não deve servir de instrumento de projeção e enriquecimento pessoais e propôs a formação de uma "nova maioria" interna. Os participantes concluíram que ele recebeu de Lula a tarefa de enquadrar os opositores.
O que Quaquá respondeu?
Procurado pela Folha, Quaquá disse que toda a campanha de Lula no Rio foi feita por ele. Segundo o prefeito, o filho, Diego Zeidan, presidente do PT fluminense, viajou para a Bahia após o primeiro turno e se afastou por quatro dias por orientação médica, depois de um pico de pressão. A Folha lembra que Lula perdeu em Maricá nos dois turnos.
Quaquá chamou Edinho de "mentiroso, incompetente e fofoqueiro" e disse: "Se alguém tem que sair do PT e ir para o PSOL é ele". Ele não foi à reunião da Executiva, sob o argumento de que aquele não era o fórum para avaliar a campanha. Pedidos de expulsão contra o prefeito já tramitam na comissão de ética do PT por posicionamentos públicos dele, mas não avançaram, segundo o jornal. Os textos consultados não trazem manifestação de Edinho sobre as acusações de Quaquá.
Segundo o Metrópoles, a conversa direta com Lula é o caminho que o vice-presidente do partido pretende seguir.
Por que Lula quer mexer no partido?
Segundo relatos reunidos pela coluna, Lula mantém arquivados panfletos de campanha de petistas que circularam sem o nome dele e quer que esses correligionários sejam enquadrados. Em setembro, Edinho cobrou a inclusão do nome do presidente e dos candidatos majoritários apoiados pelo partido no material dos candidatos a deputado e ameaçou exigir a devolução de dinheiro do fundo eleitoral em caso de descumprimento.
O apelido "centrão do PT" é usado por petistas para os colegas que, no Congresso, se adaptaram às práticas da dinâmica parlamentar. Lula defende, segundo a coluna, que a sigla fique alinhada às propostas da campanha, entre elas a redução do papel das emendas parlamentares no Orçamento. O presidente tem repetido que o PT precisa responder ao recado das ruas e que, do contrário, os jovens mobilizados pela reeleição fundarão outro partido.
A expulsão de petistas pode reabrir o racha dentro da própria corrente de Lula, a CNB (Construindo um Novo Brasil), maior força do partido, que abriga Edinho e seus desafetos. Quaquá apoiou Edinho na disputa pelo comando do PT depois de um acordo costurado por Lula.
Até esta publicação, os textos consultados não informam data para qualquer votação sobre expulsão. O Resenhando também noticiou a posição de Edinho sobre o impeachment de ministros do STF e a informação de que André Janones não será ministro e segue na Câmara.