PT vai negociar apoio do Centrão a Lula já no primeiro turno
Edinho Silva cita PSD, MDB, PP e União Brasil e admite acordo informal, sem coligação formal
O PT anunciou nesta segunda-feira, 17, que começará a negociar com partidos do Centrão o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno. O presidente da legenda, Edinho Silva, deu a informação a jornalistas em Brasília e citou PSD, MDB, PP e União Brasil como siglas cujas alianças estaduais já aproximaram do palanque petista.
"Vamos iniciar as conversas com o campo democrático brasileiro", disse o dirigente, que acrescentou haver "forças democráticas dentro de todos os partidos". Segundo ele, a composição política não se encerra com as convenções e novos acordos ainda podem ser fechados depois da definição formal das chapas.
Edinho Silva afirmou que o partido não descarta contar com esses apoios mesmo que de forma informal, no que chamou de "aliança política", ou apenas no segundo turno. A ofensiva ocorre depois que sete partidos do Centrão declararam neutralidade na disputa presidencial em agosto, decisão que liberou seus quadros para acordos estaduais e concentrou a energia das legendas na eleição para o Congresso.
O movimento também responde a uma disputa direta com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Emissários do Planalto buscam acordos de neutralidade com legendas que o PL considerava garantidas, o que reduz o tempo de televisão e o volume de palanques regionais do pré-candidato.
O que dizem os partidos citados
União Brasil e PP, reunidos na federação União Progressista, aprovaram neutralidade na disputa presidencial. O Podemos descartou lançar Renata Abreu como vice de Flávio Bolsonaro e também optou por não se posicionar. PRD e Solidariedade tomaram a mesma decisão.
O caso do PSD é distinto: o partido lançou Ronaldo Caiado à Presidência, com Gilberto Kassab de vice. Ainda assim, Edinho Silva incluiu a sigla na lista de legendas com as quais o PT já divide palanque em estados.
A afirmação do dirigente petista veio dias depois de Kassab dizer que partidos do Centrão endossariam a candidatura de Lula. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou apoio à reeleição em 10 de agosto e classificou a decisão como pessoal, sem vincular o partido.
O que está em jogo na conta do Congresso
A neutralidade formal das siglas do Centrão preserva a posição delas na negociação do Orçamento e das emendas parlamentares independentemente de quem vencer em outubro. É esse cálculo, e não a adesão ideológica, que organiza as conversas: o comando das comissões e a execução das emendas seguem sendo a moeda da disputa. Sete partidos declararam neutralidade e miraram o Congresso no início do mês.
Há um efeito prático imediato na propaganda eleitoral. O tempo de rádio e televisão é distribuído conforme o tamanho das bancadas dos partidos coligados, e cada legenda que fica de fora de uma chapa reduz o bloco de segundos do candidato que contava com ela. Foi a esse ponto que Gilberto Kassab, vice na chapa de Ronaldo Caiado, se referiu ao dizer que Flávio Bolsonaro perdeu tempo de televisão ao perder o Centrão.
A definição não é apenas nacional. Em vários estados, as mesmas siglas apoiam candidatos a governador de campos opostos, o que permite acordos regionais sem compromisso com o palanque presidencial. É esse arranjo que o PT chama de aliança política e que dispensa registro formal de coligação na chapa majoritária federal.
O calendário aperta a decisão. Com as convenções encerradas e o registro das candidaturas protocolado, qualquer adesão a partir de agora é política, não formal: não altera a chapa nem a distribuição do tempo de propaganda, mas define quem sobe em palanque e quem libera estrutura local nas duas últimas semanas antes da votação, marcada para 4 de outubro.
Procurados, PP, União Brasil e Republicanos não se manifestaram sobre as conversas com o PT até a publicação desta reportagem. A campanha de Flávio Bolsonaro também não comentou.