Sem cargo formal, Janja participa das decisões da campanha de Lula
Primeira-dama frequenta reuniões na sede do PT, fala direto com Edinho Silva e com o marqueteiro Raul Rabelo e deve viajar sozinha a municípios
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, não ocupa cargo formal na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas participa das decisões estratégicas da estrutura, segundo reportagem publicada nesta terça-feira, 18, pelo site Poder360. Ela frequenta reuniões na sede do partido em Brasília e mantém interlocução direta com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o marqueteiro da campanha, Raul Rabelo.
De acordo com a reportagem, foi dela a sugestão de convidar a cantora Fafá de Belém para o ato de lançamento da campanha. Ela também definiu a ordem de algumas apresentações do evento e deve coordenar a montagem de atos futuros, além de viajar sozinha a municípios que o presidente não conseguir visitar durante o período eleitoral.
O que diz o presidente do PT
Edinho Silva confirmou a atuação e afirmou que ela não será episódica. "Ela participa, claro que ela tem a agenda dela. Ela já viajou por diversos Estados, tem feito diversas reuniões, organizando as mulheres", disse o presidente do partido.
Integrantes do PT tratam a primeira-dama como liderança junto ao eleitorado feminino, segmento em que a campanha pretende concentrar parte do esforço. Levantamento citado na reportagem aponta que 31 dos 124 compromissos públicos cumpridos por ela entre outubro de 2025 e abril de 2026 trataram de temas ligados a mulheres. Ela também coordena o Pacto Brasil Contra o Feminicídio.
A reportagem registra contraponto dentro do próprio governo: integrantes do Palácio do Planalto reclamam reservadamente da influência da primeira-dama em assuntos de gestão e dizem não saber quais serão os próximos passos dela. Nenhum deles é identificado no texto. Não há manifestação pública do Planalto sobre o assunto.
Como está a campanha
Lula abriu a campanha à reeleição no dia 16 de agosto, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), ao lado do vice Geraldo Alckmin e de representantes dos sete partidos que integram a coligação. O ato foi realizado no mesmo local das assembleias do movimento sindical do fim dos anos 1970.
A campanha definiu como bandeiras a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o fim da escala 6x1 e a tarifa zero no transporte público, temas já anunciados pela direção partidária.
A primeira-dama se define nas redes sociais como filiada ao PT desde 1983. Segundo relatos que ela própria já fez, entrou no partido no início dos anos 1980, pelo movimento estudantil, quando cursava Sociologia. A atuação de cônjuge sem função formal na estrutura de campanha não é vedada pela legislação eleitoral, que exige o registro de despesas e da equipe contratada na prestação de contas.
O efeito prático da informalidade está no registro. Quem tem cargo aparece no organograma entregue à Justiça Eleitoral e responde por decisões dentro de uma função definida. Sem função, a participação existe de fato, mas não deixa rastro documental sobre até onde vai, nem sobre quem responde por quais escolhas.
A pré-campanha do presidente vem sendo alvo de contestação no Tribunal Superior Eleitoral. Em 17 de agosto, o tribunal admitiu ação de investigação judicial eleitoral que pede a inelegibilidade de Lula e de Alckmin por conta de desfile de escola de samba na Sapucaí.