Política

Renan Santos afirma que Kassab apoia Lula na corrida presidencial

Candidato do Missão reagiu à fala do presidente do PSD sobre a neutralidade do Centrão; Kassab é vice na chapa de Caiado

O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou nesta segunda-feira, 17, que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Kassab é candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), adversário de Lula na disputa. A declaração foi dada em entrevista coletiva após a participação de Renan Santos na 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo.

"Eu acho que o Kassab está com Lula", disse o candidato. Ele estendeu a avaliação ao bloco de partidos que ocupa o centro do Congresso. "O Centrão é a máquina impulsionadora da roubalheira brasileira", afirmou. Sobre o efeito prático nas urnas, Renan Santos declarou que "a maior parte dos candidatos dele do PSD pelo Brasil estão anulando".

A fala responde a uma declaração do próprio Kassab. Em jantar com empresários em São Paulo, na quinta-feira, 13, o presidente do PSD avaliou que a neutralidade anunciada por legendas do centro favorece a reeleição de Lula e disse que a chance de o senador Flávio Bolsonaro (PL) ser eleito presidente é "zero". União Brasil, PP e Republicanos, cortejados pela campanha de Flávio Bolsonaro, optaram por se declarar neutros.

Depois da repercussão, Kassab divulgou nota em que sustentou que a posição de neutralidade dos partidos de centro beneficia o presidente, sem declarar apoio a Lula. Ele reafirmou a candidatura própria do PSD e defendeu a escolha de Caiado.

Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do PSD ou do próprio Kassab especificamente sobre a fala de Renan Santos.

O episódio abriu ruído dentro da chapa do PSD. Em 15 de agosto, Caiado afirmou que não apoiará Lula em nenhum cenário eleitoral, resposta às críticas que a fala do vice provocou no campo da direita. O ex-governador de Goiás foi homologado candidato pelo partido e tem construído a candidatura em oposição ao PT, com pauta de segurança pública.

Do outro lado, o PT usou a declaração de Kassab. A secretária nacional do partido ironizou que, se o Centrão está com Lula, então Kassab também está, por ser a maior representação desse grupo no Congresso.

A disputa em torno da frase mostra o problema que a neutralidade cria para quem tenta unificar a direita. Flávio Bolsonaro precisa do tempo de televisão e da estrutura estadual dos partidos de centro para competir em âmbito nacional. Caiado precisa dos mesmos partidos para sustentar palanque fora de Goiás. Enquanto União Brasil, PP e Republicanos não se movem, os dois disputam o mesmo eleitorado com estrutura menor do que a que teriam se houvesse acordo, e o presidente concorre à reeleição sem enfrentar um único adversário consolidado no campo adversário.

O PSD chegou a 2026 com uma das maiores bancadas da Câmara e comanda ministérios no governo Lula, situação que o partido manteve mesmo depois de lançar candidatura própria à Presidência. É essa posição dupla que alimenta a leitura de Renan Santos e que a nota do presidente do PSD responde ao atribuir o benefício eleitoral de Lula à neutralidade dos outros partidos de centro.

Renan Santos, um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre, disputa a Presidência pelo Missão. A legenda acionou o TSE contra a filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e disputa com o senador o espaço da direita fora do arranjo do Centrão.

A neutralidade dos partidos de centro é o dado concreto por trás da discussão. União Brasil, PP e Republicanos somam bancadas expressivas na Câmara e controlam parte relevante do Orçamento por meio de emendas. Ao não fechar com nenhum dos polos, essas legendas preservam a relação com o governo em exercício, qualquer que seja o resultado, e reduzem o custo de uma eventual derrota. É esse cálculo que Kassab descreveu e que Renan Santos traduziu como apoio a Lula.

Com os registros de candidatura já protocolados no Tribunal Superior Eleitoral, o que segue em aberto é o desenho dos palanques estaduais, item que depende justamente dos partidos que se declararam neutros.

Leia também: Kassab diz que chance de Flávio Bolsonaro se eleger é zero.

3 visualizações