Kassab diz que a chance de Flávio Bolsonaro se eleger é zero
Presidente do PSD falou a cerca de 200 empresários em São Paulo e afirmou que os partidos do Centrão estão com Lula
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a chance de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se eleger presidente da República é "zero". A declaração foi dada na quinta-feira, 13, em um encontro com cerca de 200 empresários em São Paulo, e foi divulgada pelo Poder360.
Kassab, que é candidato a vice-presidente na chapa do partido, sustentou que o senador está protegido dos ataques dos adversários neste momento e que perderá força nas pesquisas quando a campanha oficial começar.
"Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar", disse o presidente do PSD.
No mesmo encontro, ele afirmou que os partidos do Centrão não estão neutros na disputa e que, na prática, apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação recai sobre siglas que ocupam espaço na Esplanada e mantêm relação com o governo na tramitação de matérias no Congresso.
A reportagem não localizou manifestação pública do senador Flávio Bolsonaro nem do PL sobre a declaração até a noite desta sexta-feira, 14.
O que Kassab diz sobre a candidatura do PSD
Ao tratar da própria chapa, encabeçada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), Kassab apresentou o correligionário como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro. Ele rejeitou a classificação de terceira via, expressão usada nas duas últimas eleições presidenciais para nomear candidaturas fora da polarização entre PT e o campo bolsonarista.
A recusa ao rótulo tem histórico eleitoral por trás. Em 2018 e em 2022, candidaturas assim classificadas terminaram com desempenho abaixo do projetado no início da corrida, e o termo passou a ser evitado por quem disputa esse espaço.
Como a fala se encaixa na disputa
Flávio Bolsonaro foi lançado como candidato do PL à Presidência e concentra o apoio do eleitorado que votou em Jair Bolsonaro. Caiado disputa parte desse mesmo eleitorado, o que coloca PSD e PL em competição direta pelo voto de centro-direita e de direita no primeiro turno.
É nesse contexto que a declaração de Kassab se insere: ao afirmar que o adversário não tem viabilidade, o dirigente endereça a empresários a tese de que o voto no candidato do próprio partido não é voto perdido. O encontro em São Paulo reuniu público do setor produtivo, faixa que costuma definir apoio financeiro e articulação política no segundo semestre do ano eleitoral.
O calendário eleitoral marca o primeiro turno para 4 de outubro. A propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão começa no fim de agosto, momento em que, segundo a avaliação exposta por Kassab, a disputa muda de patamar.
É esse o cálculo por trás da fala. O tempo de televisão é distribuído conforme o tamanho da bancada dos partidos que integram a chapa na Câmara, e o PSD é uma das maiores bancadas da Casa. Uma candidatura com tempo de propaganda relevante aposta que a curva das pesquisas se mexe quando o horário entra no ar, e não antes.
Centrão é o nome dado ao bloco de partidos que negocia apoio conforme a agenda de votações e a distribuição de cargos, sem alinhamento ideológico fixo. Siglas desse campo ocupam ministérios no governo Lula e comandam comissões estratégicas no Congresso, o que dá base concreta à leitura de Kassab, ainda que várias delas não tenham declarado apoio formal a nenhum candidato.
O PSD mantém a prática de sustentar palanques distintos por estado, o que dá ao partido presença em governos de sinais opostos e explica a resistência da direção a rótulos que enquadrem a chapa em um dos dois blocos da disputa nacional.
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