Caiado chama Lula e Flávio de fujões por possível ausência nos debates
Pré-candidato do PSD falou em almoço com empresários em São Paulo; primeiro debate está marcado para 23 de agosto
O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) chamou de fujões o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao comentar a possibilidade de os dois não participarem dos debates eleitorais de 2026. A declaração foi dada nesta segunda-feira, 10, durante o evento Diálogos CEO One, um almoço com executivos em São Paulo.
Ex-governador de Goiás, Caiado classificou a eventual ausência como covardia moral e afirmou que estará presente em todos os confrontos da campanha.
Isso aí é típico de uma covardia moral. (Ronaldo Caiado, sobre a possível ausência dos adversários)
O primeiro debate entre os presidenciáveis está marcado para 23 de agosto, na Band. O encontro estava originalmente previsto para o dia 16 e foi remarcado. Nem a campanha de Lula nem a de Flávio Bolsonaro haviam dado resposta definitiva sobre a participação até a publicação da informação pelo Poder360 e pela Gazeta do Povo.
O cálculo por trás da ausência
A recusa a debates é decisão recorrente de quem lidera pesquisas e avalia que a exposição ao confronto direto rende mais risco que ganho. O candidato à frente evita dar palanque ao adversário e reduz a chance de erro ao vivo. O que está em disputa em 2026 é se esse cálculo se aplica aos dois nomes mais bem posicionados ao mesmo tempo.
Caiado explorou justamente esse ponto ao questionar como o eleitor enxergaria a decisão dos dois candidatos mais rejeitados do país, segundo sua avaliação, de não se apresentarem ao confronto público. Ele afirmou que participará de todos os debates para expor o que classifica como grau de risco que a população brasileira corre.
A legislação eleitoral não obriga candidato a comparecer. A Lei 9.504, de 1997, apenas estabelece que emissoras de rádio e televisão podem promover debates e fixa os critérios de convite conforme a representação parlamentar dos partidos. A ausência não gera sanção e não impede a realização do encontro com os demais participantes.
A disputa presidencial de 2026 se organizou em três polos, com Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado. Nesse arranjo, o debate televisivo funciona como o principal instrumento de quem está em terceiro para forçar comparação direta com os dois primeiros, e como risco desnecessário para quem já ocupa as duas primeiras posições.
O histórico recente mostra que a decisão costuma ser tomada perto da data. Campanhas confirmam presença quando avaliam que a ausência custa mais em desgaste do que o comparecimento em risco de exposição. Isso significa que a resposta das duas campanhas tende a sair apenas na semana do encontro, e não em resposta à cobrança de um adversário.
Como fica o calendário
O debate da Band em 23 de agosto abre a temporada, que se estende até a véspera do primeiro turno, em 4 de outubro. A propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão começa em 16 de agosto, dia seguinte ao prazo final de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral.
Caiado teve o nome homologado pelo PSD e vem construindo posicionamento no campo do centro-direita. Nas últimas semanas, apresentou propostas nas áreas de segurança pública e economia, incluindo a indicação de Arminio Fraga como principal referência econômica de sua pré-candidatura.
Segundo o Poder360, as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro ainda não haviam dado resposta definitiva sobre a presença no debate da Band até a publicação da reportagem. Nenhum dos dois se manifestou publicamente sobre a declaração de Caiado.