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Caiado diz que Armínio Fraga é sua principal referência na economia

Candidato do PSD à Presidência citou o ex-presidente do Banco Central em almoço com empresários em São Paulo e mencionou Ana Carla Abrão entre os nomes em discussão

O candidato do PSD à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que o economista Armínio Fraga é hoje sua principal referência na área econômica. A declaração foi dada a jornalistas nesta segunda-feira, 10, em São Paulo, durante um almoço com empresários, e divulgada pelo Poder360.

"Eu posso te dizer que a pessoa que eu mais converso hoje, que mais me orienta hoje, é o Armínio Fraga", disse Caiado. Em outro momento, acrescentou: "Ele é a pessoa que mais me baliza hoje, nas minhas decisões e nas minhas inquietações também".

O candidato citou o economista como uma de suas preferências para o Ministério da Fazenda em um eventual governo, sem confirmar o nome para o cargo. Segundo ele, a composição da equipe econômica está em discussão em "várias frentes", e outro nome mencionado foi o da economista Ana Carla Abrão.

Quem é o economista citado

Armínio Fraga presidiu o Banco Central entre 1999 e 2002, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Foi no período que o país consolidou o regime de câmbio flutuante e o sistema de metas de inflação, dois pilares do arranjo macroeconômico que permanece em vigor. Depois de deixar a autoridade monetária, fundou a gestora Gávea Investimentos e passou a atuar no mercado financeiro.

Fraga tem feito avaliações públicas críticas sobre a condução da economia no governo atual. Em entrevista divulgada pelo Poder360, afirmou que o Brasil enfrenta risco concreto de recessão. À Gazeta do Povo, disse que o país está à beira da recessão e usou a expressão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chutou o pau da barraca na política fiscal.

A trajetória do economista o coloca no grupo que defende disciplina fiscal, independência do Banco Central e abertura comercial. É o mesmo repertório que Caiado tem apresentado em encontros com o setor produtivo desde que assumiu a condição de candidato.

O peso do gesto na disputa

Citar um ex-presidente do Banco Central diante de empresários funciona como sinalização de que a política econômica de um eventual governo seguiria a ortodoxia fiscal. O movimento tem custo baixo e efeito imediato sobre o setor que Caiado buscava naquele almoço, e ocorre em um ano em que a trajetória das contas públicas domina o debate entre os presidenciáveis.

Sobre o método, o candidato resumiu a lógica em uma frase: "Eu sempre me ocupei em ter as melhores cabeças ao meu lado. Essa é a preocupação que eu tive para governar". Ele não detalhou quais medidas do plano de governo teriam sido discutidas com o economista, nem apresentou proposta fechada de ajuste fiscal, reforma administrativa ou desoneração.

A menção a Ana Carla Abrão amplia o leque. Especialista em contas públicas e gestão estadual, ela participou da formulação de programas de ajuste em governos estaduais e é nome recorrente em equipes de transição discutidas por candidatos de centro e de direita.

Caiado disputa a Presidência pelo PSD, partido que também negocia palanques estaduais e que tem bancada relevante nas duas casas do Congresso. O registro das candidaturas nos tribunais eleitorais precisa ser protocolado até 15 de agosto, prazo que fecha o quadro definitivo dos concorrentes ao pleito de outubro.

Até lá, a apresentação de nomes para a equipe econômica é um dos poucos instrumentos de que dispõem os candidatos para diferenciar programas que, no discurso, convergem em pontos como controle de gastos e reforma administrativa. O nome do futuro ministro da Fazenda funciona como resumo do compromisso, e é assim que o mercado o lê.

Caiado, porém, manteve a formulação no campo da referência e da orientação, sem anunciar convite. A definição de equipe econômica costuma ser formalizada apenas depois do primeiro turno, quando o quadro de alianças está fechado e o custo político de cravar nomes diminui.

Caiado tem concentrado a agenda em segurança pública, tema que marcou sua gestão em Goiás. Veja o que ele propôs no plano de segurança apresentado nesta semana.

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