Caiado parte para o ataque a Flávio Bolsonaro e disputa o palanque do agro
Pré-candidato do PSD diz que adversários estão 'desesperados'; campanha do PL orienta não responder
O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, endureceu o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta semana e passou a atacar diretamente o adversário no campo da direita, segundo reportagem publicada nesta terça-feira, 18, pelo Correio Braziliense. A troca de acusações começou no domingo, quando os dois passaram a discutir quem estaria ajudando mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial.
"Realmente, eles estão desesperados. Não conseguem. Todo dia é um problema", disse Caiado sobre a campanha do senador. O ex-governador de Goiás renunciou ao cargo em abril para disputar o Planalto e tem no vice Gilberto Kassab, presidente do PSD, o principal reforço na ofensiva.
O estopim foi a declaração de Kassab, em encontro com empresários em São Paulo, de que a chance de Flávio Bolsonaro chegar ao Planalto é "zero". O dirigente voltou ao tema na semana passada e associou a perda de apoio no Centrão a um problema estrutural da campanha adversária. "À medida que o Flávio contava com o Centrão, e agora não conta mais, ele perdeu o tempo de televisão", afirmou.
Kassab também descreveu o cálculo do próprio partido na disputa. "O PSD lançou o candidato porque acha que é a melhor alternativa para o Brasil para evitar o PT ou o PL", disse. Sobre os demais nomes do campo, foi direto: "Eles não estão preocupados com o Romeu Zema, nem com Renan Santos".
A disputa pelo agronegócio
Caiado tem usado o agro como principal marcador da diferença entre os dois. Em entrevista ao canal MyNews, o pré-candidato questionou a legitimidade do senador para falar em nome do setor. "Eu sou a raiz, eu não sou sabor agro", afirmou, acrescentando que o adversário não domina o assunto para um debate.
O ex-governador associou a atividade a indicadores sociais nas regiões produtoras. "Onde você tem agricultura investindo e abrindo fronteira, a renda per capita, a saúde, a escolaridade e a condição de vida das pessoas são melhores", disse.
A escolha do tema não é acidental. Caiado governou Goiás por dois mandatos, um dos maiores produtores de grãos e de carne do país, e disputa com o PL o apoio de bancadas ruralistas que se dividiram entre os dois palanques desde a definição das candidaturas.
Como reage a campanha do PL
Integrantes do PL afirmam que Flávio Bolsonaro não pretende responder às provocações neste momento. A orientação da campanha é evitar confronto direto com o pré-candidato do PSD, de olho em uma eventual composição no segundo turno. No fim de julho, o próprio senador havia defendido que os nomes da direita evitassem conflitos públicos para preservar a unidade do campo.
Em vez de responder, a campanha do PL concentrou esforços em outras frentes na semana: divulgou diálogos atribuídos a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ampliou as críticas ao presidente e reforçou a estrutura em Minas Gerais. Nesta terça, 18, a campanha trocou o marqueteiro Paulo Vasconcelos por Marcos Carvalho.
Pesquisa Nexus/BTG divulgada este mês aponta empate técnico entre Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado em simulações de segundo turno, cenário que explica a disputa pelo mesmo eleitorado antes da definição das coligações. Kassab já havia dito a empresários que a chance de Flávio se eleger é zero.
A escalada contrasta com a postura adotada pelos dois em julho, quando Caiado chamou o adversário de "candidato Kinder Ovo" e, semanas depois, defendeu que os pré-candidatos da direita evitassem o confronto público para preservar a unidade do campo. A Gazeta do Povo registrou que a campanha do PL mantém a orientação de não responder, com foco em aliança no segundo turno.
Procuradas, as campanhas de Caiado e de Flávio Bolsonaro não comentaram as declarações reproduzidas pelo Correio Braziliense até a publicação desta reportagem.