Política

Alcolumbre diz que países insistem em tutelar o futuro do Brasil

Fala foi feita em visita ao navio-sonda da Petrobras na Margem Equatorial, em Oiapoque, com Lula presente

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta segunda-feira, 17 de agosto, que outros países insistem em tutelar o futuro do Brasil, durante visita ao navio-sonda da Petrobras que opera na Margem Equatorial, em Oiapoque, no Amapá. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava presente.

A declaração foi feita no evento que marcou a identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou no mesmo evento que a produção no bloco pode começar em até sete anos.

Segundo Alcolumbre:

É preciso que a gente, de uma vez por todas, reconheça no Brasil aqueles que enfrentaram causas e muitas das vezes foram contestadas ou até mesmo criticadas, não só por parte de brasileiros que não compreendem a importância da soberania energética, sobretudo aqueles outros países que infelizmente insistem em querer tutelar o futuro do Brasil e dos brasileiros.

O presidente do Senado completou, dirigindo-se a Lula: "Deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, que nós decidamos o que queremos para o Brasil". As falas foram divulgadas pelo Metrópoles.

O que a fala sinaliza

Alcolumbre também agradeceu a Lula pela condução do projeto na Margem Equatorial. "Muito obrigado pela defesa que o senhor fez, ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse aqui hoje", disse. Para o senador, a Petrobras "tem que ser o orgulho de todos os brasileiros".

A exploração na Foz do Amazonas foi objeto de disputa entre a estatal e o Ibama por anos, com negativa inicial do órgão ambiental e recursos sucessivos da companhia. A área é a fronteira exploratória que o governo aponta como reposição das reservas brasileiras à medida que o pré-sal amadurece.

O tom da fala de Alcolumbre, presidente do Senado e senador pelo Amapá, estado onde ocorre a operação, combina defesa da exploração com crítica à pressão externa sobre a decisão brasileira. Não houve menção a país específico.

A relação entre Senado e Planalto

O encontro ocorre em um momento de aproximação entre Alcolumbre e o Planalto, depois de meses de atrito na pauta legislativa. O presidente do Senado tem sido cobrado por parlamentares da base e da oposição em temas travados no Congresso, entre eles a PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6x1, e a tramitação de medidas provisórias no esforço concentrado.

A visita ao Amapá reúne interesse estadual e agenda federal. O bloco FZA-M-59 fica na costa do estado, e a operação envolve investimento da estatal em uma região sem atividade produtiva de petróleo até aqui.

Não houve, até a publicação, manifestação oficial do Planalto ou da presidência do Senado que detalhasse a quais países Alcolumbre se referia. A Petrobras não divulgou estimativa de volume recuperável no poço nem cronograma de declaração de comercialidade.

A identificação de hidrocarbonetos é uma etapa inicial. Confirma que há petróleo ou gás na formação perfurada, mas não estabelece se o volume é economicamente aproveitável. Entre esse indício e a decisão de produzir há testes de formação, avaliação de reservatório e a declaração de comercialidade à Agência Nacional do Petróleo. É esse percurso que sustenta o prazo de até sete anos citado por Magda Chambriard.

A Foz do Amazonas é a parcela da Margem Equatorial mais disputada no debate ambiental. O licenciamento da perfuração exploratória foi negado pelo Ibama em 2023 e voltou à mesa depois de novos estudos apresentados pela estatal, incluindo o plano de emergência para fauna oleada, que era a principal exigência técnica do órgão.

A área é apontada pelo governo e pela direção da Petrobras como a fronteira capaz de repor reservas à medida que os campos do pré-sal amadurecem. Críticos da exploração questionam o risco ambiental em região de foz e a proximidade de comunidades e de recifes.

Alcolumbre é senador pelo Amapá desde 2015 e preside o Senado. A Bacia da Foz do Amazonas fica na costa do estado que ele representa.

Leia também: Alcolumbre cobra avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial.

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