Economia

Alcolumbre comemora identificação de petróleo na Margem Equatorial

Presidente do Senado diz que Petrobras encontrou hidrocarbonetos no poço Morpho, no Amapá; licença do Ibama segue limitada a um único poço

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou nesta sexta-feira, 14 de agosto, a identificação de petróleo em águas profundas da Margem Equatorial, na costa do Amapá. Segundo o parlamentar, a informação foi passada a ele pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

A estatal identificou a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. O poço fica a 175 quilômetros da costa de Oiapoque e a cerca de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas.

"Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial", afirmou Alcolumbre. Ele encerrou a manifestação com a frase "Viva o Amapá gigante!".

O senador associou a exploração dos recursos naturais da região à geração de emprego, ao aumento de renda e à abertura de novas oportunidades econômicas para a população amapaense.

O que a Petrobras confirmou

O anúncio trata da identificação de hidrocarbonetos no poço, etapa que antecede a avaliação da viabilidade comercial. A estatal não informou volume, qualidade do óleo nem prazo para eventual produção.

O percurso entre uma coisa e outra é longo. Depois da identificação, a operadora precisa concluir a perfuração, coletar dados de reservatório, executar o plano de avaliação de descoberta e só então apresentar à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a declaração de comercialidade. É essa declaração que transforma uma área exploratória em campo com plano de desenvolvimento.

Em águas profundas, esse ciclo costuma consumir anos e exige sonda, unidade de produção e infraestrutura de escoamento. A Petrobras não divulgou cronograma de avaliação nem estimativa de investimento para o bloco 59 após o resultado do Morpho.

O poço também não é o primeiro esforço da estatal na região. A Margem Equatorial entrou no planejamento exploratório da companhia como alternativa ao pré-sal, cuja produção tem curva de declínio projetada para a próxima década.

A perfuração do Morpho vinha de sucessivos adiamentos. Um vazamento de fluido durante a prospecção, em janeiro, alterou o cronograma e empurrou a conclusão das operações de fevereiro para agosto. Em 31 de julho, a companhia sinalizou novo atraso de pelo menos um mês, com previsão de encerrar os trabalhos entre o fim de agosto e o início de setembro.

Em que ponto está o licenciamento

A licença de operação concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025 autoriza a perfuração de um único poço. Ela não serve de autorização para novas perfurações no bloco.

Em fevereiro deste ano, o Ibama negou pedido da Petrobras para estender a licença do Morpho a outros três poços exploratórios no mesmo bloco. A recusa mantém a exploração limitada ao poço já autorizado enquanto não houver novo processo de licenciamento.

É essa a distância entre o achado técnico e a produção. A identificação de petróleo no Morpho não altera, por si, a situação do licenciamento dos demais poços, que depende de análise própria do órgão ambiental.

O Ibama não divulgou nota sobre o resultado do poço até a publicação desta reportagem. A Petrobras também não detalhou publicamente se apresentará novo pedido de licença para a área após o anúncio.

A Margem Equatorial é a faixa que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e concentra a principal aposta exploratória da Petrobras fora do pré-sal. A defesa da pesquisa na região é bandeira antiga de parlamentares do Norte, com Alcolumbre entre os nomes mais atuantes, e opõe governos estaduais e o setor de óleo e gás a ambientalistas que apontam risco para a foz do rio Amazonas.

Leia também: Petrobras anuncia gás no poço Sandía-1, na Colômbia.

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