Petrobras acha gás na margem equatorial da Colômbia a 42 km da costa
Poço Sandia-1 fica na bacia de Guajira, em bloco operado pela estatal brasileira em sociedade com a colombiana Ecopetrol
A Petrobras informou a descoberta de gás natural no poço Sandia-1, na margem equatorial colombiana, em anúncio divulgado na segunda-feira (3). O poço fica no bloco GUA-OFF-0, na bacia de Guajira, a 42 quilômetros da costa e a 70,7 quilômetros da cidade de Santa Marta, em lâmina d'água de 1.251 metros.
O bloco é operado pela estatal brasileira, que detém 44,44% de participação. Os 55,56% restantes pertencem à Ecopetrol, empresa estatal de petróleo da Colômbia. A parceria entre as duas companhias na região vem de contratos assinados nos últimos anos para exploração em águas profundas do Caribe colombiano.
Onde fica a área explorada
A bacia de Guajira integra a chamada margem equatorial, faixa geológica que acompanha a costa norte da América do Sul e se estende do litoral brasileiro até a Colômbia. A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou em dezembro de 2024 que a bacia colombiana faz parte desse mesmo conjunto.
A região é tratada pelo setor como área de grande potencial e recebeu o apelido de novo pré-sal, comparação que se apoia na geologia semelhante à de bacias produtivas de outros países atlânticos. A exploração enfrenta questionamentos de entidades ambientais, que apontam risco de impacto sobre ecossistemas costeiros.
Para a estatal brasileira, a atividade na Colômbia funciona como extensão da estratégia adotada no litoral norte do Brasil. O aprendizado técnico obtido em perfurações na mesma faixa geológica é aplicável nas duas pontas da margem, o que reduz o custo de conhecimento em áreas ainda pouco perfuradas.
A perfuração do Sandia-1 começou em 12 de junho de 2026 e atingiu a profundidade final em 29 de julho. A operação é conduzida pela Petrobras International Braspetro, subsidiária da estatal com filial na Colômbia, que responde pela participação de 44,44% no consórcio.
É a terceira descoberta de gás em águas profundas que a dupla anuncia na mesma região. O Sandia-1 fica a 18 quilômetros dos poços Sirius-1 e Sirius-2 e a 9 quilômetros da descoberta de Copoazu-1. A proximidade entre os quatro pontos é o argumento técnico usado pelas empresas para sustentar que a área tem potencial de gás além de um achado isolado.
O que a descoberta ainda não define
A companhia não divulgou o volume estimado de gás nem a viabilidade comercial do reservatório. Descobertas exploratórias exigem etapas posteriores de avaliação, com novos poços e testes de formação, antes que se possa afirmar se a área será desenvolvida.
Também não há prazo anunciado para essas etapas nem estimativa de investimento adicional no bloco. Entre a descoberta e a primeira produção, o intervalo em projetos de águas profundas costuma ser medido em anos.
O resultado se soma à agenda de expansão da Petrobras em gás natural, insumo que abastece indústrias e usinas termelétricas. O aumento da oferta na região do Caribe colombiano interessa diretamente ao mercado interno da Colômbia, que enfrenta queda na produção de seus campos tradicionais e passou a importar volumes crescentes.
A Ecopetrol não divulgou avaliação própria sobre o poço até a publicação desta reportagem. As duas companhias mantêm outros compromissos exploratórios na área, cujos cronogramas são definidos nos contratos firmados com a agência reguladora colombiana.