Política

PT convoca Diretório Nacional após Lula criticar a organização da campanha

Aliados de Edinho atribuem o racha a perda de poder e à proposta de intervenção no PT do Rio, segundo a Folha

Neste texto3 tópicos
  1. O que está em disputa
  2. A fala de Lula e a resposta dos aliados
  3. O que a Executiva aprovou

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, convocou o Diretório Nacional do partido para o dia 13 de novembro, depois que uma ala petista boicotou a reunião da Executiva Nacional na quinta-feira (29). A informação é da Folha de S.Paulo, que ouviu dirigentes sobre a disputa aberta após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Diretório é a instância máxima do partido. Segundo a Folha, os críticos queriam uma reunião presencial para avaliar a campanha e articular, no ano que vem, um congresso sobre renovação partidária.

O que está em disputa

O grupo que boicotou a Executiva argumentou que aquele não era o fórum para discutir a campanha, segundo o jornal. Edinho coordenou a candidatura de Lula e, segundo a reportagem, deve ouvir no encontro críticas sobre a concentração de decisões. Dirigentes estaduais cobram mais autonomia sobre o destino dos recursos da legenda.

Um exemplo citado pela Folha é o de Cadu de Lula, eleito governador do Rio Grande do Norte, que teria recebido R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional para os dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam mais. O jornal também registra que Edinho contrariou aliados ao se candidatar à Câmara, usando o cargo de presidente do partido para atrair votos em detrimento de nomes de São Paulo.

A fala de Lula e a resposta dos aliados

A reportagem recupera uma crítica do próprio Lula, feita depois do primeiro turno, em que ele ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Em discurso à militância divulgado por engano em um canal do partido, o presidente disse:

"Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta."

Aliados de Edinho dão outra explicação à Folha. Afirmam que a rebelião não tem relação com a condução da campanha e a atribuem à insatisfação de um grupo que perdeu poder e à proposta de intervenção no diretório do PT do Rio de Janeiro. Na quarta-feira (28), Lula publicou no X uma mensagem de reconhecimento ao trabalho de Edinho na coordenação da campanha vitoriosa, segundo o jornal.

O que a Executiva aprovou

Na quinta, a Executiva aprovou uma diretriz política que trata de renovação interna. O texto diz que "o PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política", e orienta uma campanha de filiação de jovens.

A Folha informa ainda que o debate já alcança a sucessão de Lula, que terá 85 anos ao fim do próximo mandato e não deve disputar outra eleição. Aliados do presidente listam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o ex-ministro Fernando Haddad como possíveis herdeiros. O jornal diz haver consenso de que Lula conduzirá a própria sucessão e que não deve antecipar o nome.

No campo oposto, a derrota também abriu uma discussão sobre o futuro: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defendeu união da direita sem procurar culpados pela derrota de Flávio. O mapa de forças nos estados também mudou: veja quantos governos cada partido terá em 2027. O próximo passo do PT é a reunião do Diretório Nacional, em 13 de novembro.