Economia

Petrobras confirma terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, na costa do Amapá

Estatal concluiu a perfuração no bloco FZA-M-59 e leva a sonda NS-42 para a bacia Potiguar

A Petrobras anunciou na quinta-feira (29) a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da costa do Amapá, a 2.886 metros de lâmina d'água. A estatal concluiu a perfuração e a coleta de dados geológicos, segundo comunicado da Agência Petrobras.

A companhia identificou "mais um intervalo portador de petróleo" no mesmo poço, depois dos achados divulgados em agosto e no início de outubro. A presidente da estatal, Magda Chambriard, atribuiu o resultado ao trabalho técnico: "Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço", afirmou.

Na mesma declaração, a presidente afirmou que as três descobertas "nos deixam ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial", faixa marítima que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. O comunicado não informa volume estimado nem se a acumulação é comercialmente viável.

O que acontece com o poço agora

Com a perfuração encerrada, resta apenas a finalização das operações no poço, o chamado abandono. Em seguida, a sonda NS-42 segue para a bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte, onde começa a perfurar a locação Mãe de Ouro.

A Petrobras não anunciou, no comunicado desta quinta, data para novas perfurações no bloco.

Como a descoberta se encaixa nos números da empresa

O anúncio veio um dia depois do balanço operacional do terceiro trimestre. Entre julho e setembro, a produção média de óleo, líquidos de gás natural e gás da Petrobras chegou a 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia, recorde da companhia, 11,7% acima do mesmo período de 2025, conforme a própria estatal. No trimestre, 12 novos poços produtores entraram em operação, seis na Bacia de Campos e seis na de Santos.

O Resenhando já havia registrado o recorde de valor de mercado de R$ 700 bilhões após a segunda descoberta, em 2 de outubro, quando um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimou em até 10 bilhões de barris de óleo equivalente o potencial recuperável da bacia. A estimativa é do órgão federal, não da Petrobras, e se refere à bacia inteira, não ao Morpho.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou o anúncio em nota divulgada pela Agência Senado. "Durante anos, liderei a defesa de que a nossa região tivesse a oportunidade de ser pesquisada", escreveu. Em agosto, o senador já havia defendido a exploração da área, como o Resenhando noticiou.

Para o contribuinte, a conta só fecha com os próximos passos: sem testes de produção e sem declaração de comercialidade à Agência Nacional do Petróleo (ANP), a descoberta segue como indício geológico, sem receita nem royalties. A Petrobras ainda não indicou quando apresentará essas etapas.