Política

Aliados de Lula querem manter o 'Exército' digital e votar regulação das big techs até dezembro

Janones mantém o 'Exército do Lula' para pressionar o Congresso e o governo quer votar a regulação das big techs até dezembro, antes do novo Congresso.

Neste texto3 tópicos
  1. O que o deputado Janones diz sobre o "Exército do Lula"
  2. O que o governo quer votar até dezembro
  3. O que ainda não se sabe

Aliados do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) querem manter ativa a rede de mobilização digital montada no segundo turno e votar até dezembro o projeto de regulação concorrencial das big techs, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste domingo, 1º de novembro. O governo e parlamentares avaliam que a janela para aprovar o texto se estreita em 2027, quando toma posse o novo Congresso.

Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, no dia 25 de outubro, por 51,8% a 48,2% dos votos. Foi o primeiro presidente a ganhar uma eleição depois de terminar atrás no primeiro turno, em que Flávio teve 47% e ele, 45,2%.

O que o deputado Janones diz sobre o "Exército do Lula"

O deputado federal André Janones (Rede-MG) comandou o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que passou de 10 milhões de integrantes, de acordo com a Folha. O Poder360 contou 10,9 milhões de seguidores no encerramento da campanha e ressalvou que o número de inscritos não permite saber quantos eleitores foram de fato persuadidos ou levados às urnas pela mobilização.

Janones afirmou à Folha que o grupo será mantido depois da eleição, com outra função. "O grande objetivo desse 'Exército', pós-eleição, é compensar a minoria que o presidente Lula vai ter na Câmara e no Senado, porque a extrema direita está com uma maioria esmagadora", disse. Segundo ele, a missão passa a ser "dar governabilidade ao presidente".

No discurso da vitória, Lula agradeceu ao deputado, chamou-o de "general" e disse que ele "teve um papel exponencial" na campanha. O presidente eleito também prometeu falar diretamente com a população, "muitas vezes por dia", e afirmou que não vai "ficar permitindo ser interpretado por jornalistas com má-fé".

O deputado federal eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP), que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, defende que a esquerda mantenha a estrutura digital em funcionamento e a combine com regras para as plataformas. Ele sugeriu como modelo a opção de "desligar" o algoritmo, com feeds que mostrem só o conteúdo de perfis seguidos.

O que o governo quer votar até dezembro

A Folha informou que integrantes do governo e parlamentares pretendem votar até dezembro o projeto de regulamentação concorrencial das big techs. Na avaliação deles, há agora uma janela favorável, que ficará mais estreita no ano que vem.

No discurso de domingo, Lula disse ter precisado "vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las". Ele afirmou ainda que um crime no mundo digital deve ser tratado como um crime na vida real e que empresas bilionárias não podem deixar de pagar impostos enquanto tentam "direcionar o resultado eleitoral". A fala já tinha sido tema da cobertura do Resenhando sobre o discurso de 26 de outubro.

A campanha teve acusações de interferência de plataformas. Segundo a Folha, mensagens internas da Meta mostram funcionários reconhecendo prejuízo a contas de Lula e benefício às de Flávio. A empresa negou ingerência. A reportagem também relatou que um teste do jornal achou diferença de tratamento nas respostas da ferramenta de inteligência artificial da empresa a pedidos de imagens de campanha dos dois candidatos.

O governo já tentou enquadrar as plataformas no mandato anterior e não conseguiu avançar. O tema também chegou à Câmara: o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou em 28 de outubro um grupo de trabalho para regular a propaganda eleitoral nas redes.

O que ainda não se sabe

O texto concorrencial que o governo quer votar ainda não foi detalhado nas reportagens consultadas, nem o calendário de pauta nas duas Casas. Não há, até a publicação, posição pública de Flávio Bolsonaro nem do PL sobre a pressa em votar o projeto, e o Resenhando não localizou resposta da Meta além da negativa de ingerência registrada pela Folha. A reportagem foi republicada pelo Jornal de Brasília, e os números da eleição e do canal foram conferidos no Poder360.

A matéria será atualizada quando o projeto for numerado ou pautado.