Política

Janones diz que não será ministro de Lula e que seguirá na Câmara

Em entrevista exibida pelo Fantástico, Janones afirmou que está "cravado" que não aceitará ministério. Em 29/10, dizia que seguiria o que Lula mandasse.

Neste texto4 tópicos
  1. Do "vou seguir o que o presidente mandar" ao "está cravado"
  2. O que ele disse ao próprio canal
  3. Partido e relação com a oposição
  4. O que falta saber

O deputado federal André Janones (Rede-MG) disse que não aceitará ministério no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que continuará na Câmara dos Deputados. A declaração foi exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (1º), segundo o Jornal de Brasília.

"Eu não vou aceitar ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo", afirmou Janones na entrevista, gravada dias depois da vitória de Lula no segundo turno, em 25 de outubro.

Do "vou seguir o que o presidente mandar" ao "está cravado"

A posição ficou mais firme em quatro dias. Em 29 de outubro, depois de um almoço com Lula no Palácio da Alvorada, Janones havia dito que a decisão final seria tomada com o presidente. Segundo a Gazeta do Povo, ele afirmou: "Por vontade própria, não entendo que um ministério é onde posso ajudar mais, mas estou na liderança dele". E completou: "Eu vou seguir o que o presidente mandar".

Na mesma ocasião, justificou a preferência pelo Legislativo com a composição do Congresso. Disse que Lula "precisa de força no Congresso", onde a direita elegeu a maior parte dos parlamentares para 2027.

O que ele disse ao próprio canal

Na madrugada desta segunda-feira (2), Janones falou sobre o tema em áudio enviado aos participantes do canal "Exército do Lula", no WhatsApp. De acordo com o Jornal de Brasília, ele afirmou que a atuação política poderia ficar limitada num ministério, que o impediria de "ser um guerrilheiro" na defesa do governo.

"Nós vencemos uma batalha. A guerra não foi vencida ainda. Agora, a gente precisa dar governabilidade para o presidente", disse o deputado no áudio.

O canal passou de dez milhões de participantes na reta final da campanha, e Janones prometeu chegar a 13 milhões até a posse, marcada para 5 de janeiro. A iniciativa foi questionada na Justiça Eleitoral pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), tema que o Resenhando acompanhou na decisão do TSE sobre a suspensão do canal.

Partido e relação com a oposição

Na entrevista, Janones disse que fica na Rede Sustentabilidade e deu duas razões: prezar pela independência e ser leal a quem lhe estendeu a mão. Ele elogiou o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), a quem descreveu como alguém que se propõe a "pacificar" e superar a polarização.

No discurso da vitória, na Avenida Paulista, Lula chamou Janones de "general" e disse que a comunicação digital terá espaço importante no novo governo. Janones foi reeleito deputado em 2026 com 78.780 votos em Minas Gerais.

O que falta saber

Nenhuma das reportagens consultadas traz comentário do Palácio do Planalto sobre a decisão. As reportagens também não dizem que função o canal terá depois da posse. O Resenhando já havia mostrado como aliados de Lula tratam o exército digital e a regulação das big techs como prioridade até dezembro. A data a acompanhar é 5 de janeiro, dia da posse e da meta de 13 milhões de inscritos que Janones fixou para o canal.