Política

Presidente do PT diz que impeachment de ministros do STF enfraquece a democracia

Presidente do PT diz ao Poder360 que não apoia impeachment de ministros do STF e vê a apreensão do passaporte de Flávio como inoportuna.

Neste texto3 tópicos
  1. O que o PT diz sobre o impeachment
  2. A apreensão do passaporte de Flávio
  3. Dosimetria e outros temas da entrevista

O presidente nacional do PT, deputado federal eleito Edinho Silva, afirmou ao Poder360, nesta terça-feira, 3, que o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) "enfraqueceria a democracia e as próprias instituições". Na mesma entrevista, ele classificou como "inoportuna" a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Edinho disse que a posição não significa rejeitar mudanças no Judiciário. "O que o PT não fará é aderir a iniciativas oportunistas que, sob o argumento de corrigir problemas, acabem fragilizando as instituições democráticas", declarou. Segundo ele, o 8º Congresso do partido, em abril de 2026, aprovou como prioridades a reforma política e eleitoral e a reforma do Poder Judiciário, e a posição atual "foi construída ao longo de 2025".

O que o PT diz sobre o impeachment

O Poder360 lembra que o impeachment de ministros do Supremo, sobretudo de Moraes, é defendido por senadores de direita. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse em 1º de setembro que tantos pedidos contra magistrados "não é normal", mas, segundo a reportagem, não dá sinais de que abrirá processo enquanto comandar a Casa.

Edinho disse ainda que o PT será contra qualquer candidato de "inspiração fascista" às presidências da Câmara e do Senado e deve, possivelmente, acabar apoiando a reeleição de Alcolumbre e a de Hugo Motta (Republicanos-PB), nas votações de 1º de fevereiro de 2027. O objetivo, afirmou, é barrar a chegada de representantes do "radicalismo" ao comando das duas Casas.

O Resenhando já publicou a corrida pela reeleição de Motta na Câmara em 2027, na qual o apoio do PT é um dos fatores.

A apreensão do passaporte de Flávio

Sobre Flávio Bolsonaro, Edinho fez uma ressalva: falou "exclusivamente do ponto de vista político, e não jurídico". "Considero que talvez a decisão tenha sido inoportuna naquele momento. Penso que poderia ter sido mais adequado aguardar a consolidação do resultado eleitoral e, posteriormente, caso houvesse necessidade, adotar as medidas cabíveis", afirmou. Ele disse não conhecer os elementos que fundamentaram a decisão de Moraes e, por isso, não ter condições de questionar sua necessidade legal.

A cronologia, segundo o Poder360: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o resultado da eleição presidencial às 21h09 de 25 de outubro. A representação da Polícia Federal pedindo a apreensão dos passaportes foi assinada às 21h16, sete minutos depois. Moraes atendeu ao pedido no mesmo dia. Flávio foi intimado na segunda-feira, 26, depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. Não entregou os passaportes e deixou o Brasil com a família em 27 de outubro, conforme a reportagem.

A defesa do senador questionou a condução do caso no STF; o Resenhando noticiou o pedido para afastar Moraes e André Mendonça do inquérito. Edinho, por sua vez, deixou aberta a possibilidade de que a decisão se justifique: "Talvez o tempo permita compreender melhor por que a medida precisou ser tomada exatamente daquela maneira e naquele momento."

Dosimetria e outros temas da entrevista

Questionado sobre a dosimetria das penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, o presidente do PT respondeu que a prioridade segue sendo a defesa da democracia e que qualquer diálogo sobre o tema, "se tiver de acontecer, deve ocorrer em um ambiente de pacificação nacional". Não indicou apoio a nenhum projeto específico.

A entrevista também tratou de críticas internas. Edinho disse que o PT "não pode continuar convivendo com um amontoado de projetos pessoais" e que a legenda virou, "em determinadas situações", um "ajuntamento de mandatos". Sobre a proposta do economista André Lara Resende de cortar os juros com um novo arranjo entre política monetária e fiscal, afirmou que ela "nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula". Ele não citou nomes nas críticas.

A íntegra está nas páginas do Poder360 sobre o impeachment de ministros e sobre a apreensão do passaporte.