Política

Motta reúne 15 partidos para 2027 e Zé Trovão ameaça candidatura se o PL não lançar nome

PT apoia reeleição com a condição de isolar PL e Novo; bancada de 121 deputados do PL está dividida

A disputa pela presidência da Câmara dos Deputados em 2027 começou antes da posse da nova legislatura. O atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu o apoio declarado de 15 legendas, entre elas o PT, e o deputado Zé Trovão (PL-SC) anunciou neste domingo (1º) que se candidata se o PL, dono da maior bancada, não lançar nome próprio. As informações constam de reportagens da Gazeta do Povo e da Revista Oeste.

O PL terá 121 deputados a partir de fevereiro de 2027, segundo a Gazeta do Povo. O PT fica com a segunda maior bancada, de 70 parlamentares, e anunciou apoio a Motta em conjunto com PCdoB e PV. Já estavam com o presidente da Casa Republicanos, PSD, MDB, Podemos, PSB, PDT e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD.

Por que o PT entrou na articulação

O líder do PT, Pedro Uczai (PT-SC), disse que a composição é "estratégica para os próximos quatro anos, para dar governabilidade ao governo do presidente Lula". O apoio, porém, tem uma condição, de acordo com a Gazeta: os petistas querem impedir que PL e Novo integrem o bloco de Motta. Com isso, o partido de Flávio Bolsonaro ficaria fora da partilha da Mesa Diretora e das presidências de comissões.

A formação dos blocos pesa na rotina da Casa porque o tamanho de cada um define a ordem de escolha das comissões, onde os projetos passam antes do Plenário. O Palácio do Planalto, segundo o jornal, teme que uma oposição com bancada maior dificulte propostas do governo em 2027.

O que divide o PL

A bancada está dividida. Uma ala defende candidato próprio; outra prefere negociar com Motta para garantir espaço à oposição. A Gazeta do Povo informa que a decisão está ligada ao Senado: a direção do partido trata a presidência da Casa vizinha como prioridade e a expectativa é de que o senador Rogério Marinho (PL-RN) lance seu nome. Comandar as duas Casas ao mesmo tempo, avaliam parlamentares ouvidos pela reportagem, seria difícil.

Com a saída de Flávio Bolsonaro do país, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, conduz as conversas com os eleitos. Na quinta-feira (29), ele esteve na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro para discutir a estratégia da oposição nas duas eleições.

O desgaste com Motta tem origem na condução das pautas conservadoras. A oposição queria anistia ampla aos presos do 8 de janeiro, e o presidente da Câmara avançou com uma versão restrita, o chamado PL da Dosimetria, que reduz penas. A aproximação de Motta com o Palácio do Planalto também alimenta a desconfiança bolsonarista, conforme a Gazeta.

Zé Trovão foi mais duro. Em vídeo no Instagram, disse que "não vou ser governado por um presidente frouxo, mole como o Hugo Motta", segundo a Oeste. Em nota, afirmou: "Minha posição está definida: não contem com meu apoio a Hugo Motta ou Davi Alcolumbre como parte de acordos por cargos e conveniências políticas". Ele disse ter orientado a equipe a preparar a campanha.

A nova Mesa Diretora assume em fevereiro de 2027. O Resenhando já registrou o apoio de PT, PCdoB e PV à reeleição de Motta e o balanço que o presidente fez da Casa após o segundo turno.