Kassab diz que Lula precisa de nova dupla Palocci-Meirelles e ajuste sem imposto
Presidente do PSD condiciona apoio a governo voltado ao centro e defende corte de gastos e subsídios no quarto mandato
Neste texto3 tópicos
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa montar, no quarto mandato, uma equipe econômica nos moldes da dupla formada por Antonio Palocci, na Fazenda, e Henrique Meirelles, no Banco Central, no primeiro governo petista. A declaração foi dada ao programa Canal Livre, da Band, exibido neste domingo, 1º de novembro, e reproduzida pelo Jornal de Brasília.
"O que o Lula precisa fazer agora é encontrar a sua dupla Meirelles-Palocci, delegar o comando, empoderar, para que eles possam atingir o objetivo de trazer equilíbrio fiscal, tranquilizar o mercado", afirmou Kassab. O PSD tem a quarta maior bancada da Câmara, com 43 deputados eleitos, cinco a menos que na legislatura atual.
Ajuste sem aumento de imposto
Kassab defendeu que o ajuste fiscal do próximo governo saia do lado do gasto. "Ele vai promover, portanto, corte de gastos, ele vai promover corte de subsídios, de privilégios, porque é o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária", disse. Segundo o dirigente, a prioridade do governo deve ser "não errar" na escolha dos ministros da Fazenda e do Planejamento, que ele chamou de "pilares principais" da gestão.
Para o presidente do PSD, o Planejamento precisa de alguém que "saiba entender os gastos para fazer os cortes", e a Fazenda, de um nome que "saiba tranquilizar o mercado". Ele afirmou que o cenário de hoje é "muito mais desfavorável" que o de 2003, quando Palocci e Meirelles assumiram o primeiro mandato de Lula.
Kassab também ressalvou que os compromissos sociais assumidos na campanha devem ser cumpridos. "Ele ganhou assumindo alguns compromissos no campo social. Eu acho que não adianta, ele vai cumprir e é importante que cumpra", disse. A conta desses compromissos já preocupa o governo: o Resenhando mostrou que o Executivo ainda precisa remanejar R$ 20 bilhões em 2027 para manter os programas.
A condição para o apoio do PSD
O partido, que ficou neutro no segundo turno, não se considera base do governo. Kassab afirmou que o PSD só se sentirá parte da base se houver "um governo que tenha os seus olhos também para o centro". Ele disse ter enviado mensagem de cumprimentos a Lula e que, quando o presidente o convidar para conversar, vai deixar essa condição clara.
O dirigente listou o que o PSD espera: diretrizes claras para a economia e apoio a reformas estruturais, "em especial a reforma eleitoral e algumas reformas do Judiciário". "Se ele fizer um governo para o centro, por que não apoiá-lo?", questionou. A liberação dos filiados do PSD para integrar o governo já havia sido anunciada em 27 de outubro.
Quem está cotado para a Fazenda
Segundo o Jornal de Brasília, os nomes mais citados para o Ministério da Fazenda são o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que acumulou a pasta da Indústria e Comércio de 2023 ao início de 2026. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem mandato até dezembro de 2028.
No Congresso, o governo enfrentará um cenário mais difícil: o PL terá 121 deputados e 28 senadores, mesmo após a derrota de Flávio Bolsonaro. A entrevista foi exibida pelo Canal Livre, da Band, e o Resenhando não encontrou, até a publicação, resposta do Planalto às declarações.