Kassab libera filiados do PSD a integrar governo Lula, mas sem submissão
Presidente do PSD também criticou o voto de internet e defendeu o distrital misto
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O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta terça-feira, 27, que integrantes do partido estão liberados para participar do governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sigla, segundo ele, manterá independência mesmo que receba espaços na Esplanada. A declaração foi dada em Brasília, durante evento do Dominium Group, e divulgada pela Folhapress.
O que Kassab disse sobre o novo governo
"Sobre o novo governo, vamos permitir que nossos companheiros integrem o governo, mas sem submissão. A independência é o melhor caminho", afirmou o dirigente, conforme o texto da Folhapress republicado pelo Jornal de Brasília.
Kassab também comentou a virada de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu o segundo turno de domingo, 25, depois de largar atrás no primeiro. Para o presidente do PSD, o eleitor só conheceu Flávio de fato na reta final. "Todos já conheciam quem é Lula", disse, ao descrever o petista como "um sênior da política às vésperas de se aposentar".
Por que o PSD fala em cargos agora
O PSD ficou neutro no segundo turno depois que seu candidato, Ronaldo Caiado, foi derrotado no primeiro. Segundo a Folhapress, foi uma postura única entre as grandes siglas do centrão, que aderiram a Flávio Bolsonaro na etapa final. Nos bastidores, ainda de acordo com o jornal, o partido esperava que Lula reconhecesse a neutralidade com prioridade na divisão dos ministérios.
No atual governo, o PSD comanda as pastas da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca. A reportagem não informa quais ministérios o partido pretende manter ou disputar no segundo mandato, e o texto original não registra manifestação do Planalto sobre o assunto. A composição da Esplanada ainda não foi definida: o próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça que a equipe será tratada nas próximas semanas.
A crítica ao voto de internet e a defesa do distrital misto
Kassab aproveitou o evento para criticar o sistema de eleição do Congresso e defender o voto distrital misto. Ele citou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o deputado Lucas Pavanato (PL-SP), que somaram mais de 3 milhões de votos por forte atuação digital e ajudaram a eleger colegas de bancada.
"De 80% a 90% dos eleitores deles nunca os viram, nunca os encontraram, e nunca vão encontrá-los", afirmou. Para o dirigente, a ausência de vínculo local reduz o compromisso com políticas públicas e leva a um Congresso em que "a prioridade é lacrar". A crítica atinge diretamente o PL, que sai da eleição com a maior bancada do Senado e o maior número de governadores, como mostra a cobertura do Resenhando sobre o mapa de governadores eleitos por partido.
O que observar nas próximas semanas
A fala de Kassab abre a negociação por espaço no governo antes mesmo da definição da equipe econômica. O resultado da eleição, com Lula reeleito com 51,75% dos votos válidos, tornou o apoio do centro peça central para a governabilidade no Congresso, onde a oposição deve controlar a pauta, segundo análise da Agência Câmara.
O Resenhando acompanha as indicações ministeriais e a posição do PSD na votação das medidas fiscais que o governo prepara para enviar ao Legislativo.