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Debate na Globo: Flávio pede desculpa a Lula por 'nove dedos' e cita dívida de R$ 11 tri

Último confronto antes do segundo turno teve troca de acusações, dados contestados sobre população em situação de rua e propostas para a dívida das famílias

Neste texto4 tópicos
  1. O episódio dos "nove dedos"
  2. Dívida pública e endividamento das famílias
  3. Saúde, licença-maternidade e Bolsa Família
  4. Acusações sobre Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite desta sexta-feira, 23, durante o debate da TV Globo, depois de dizer que o petista "dá com uma mão e tira com nove dedos". Lula havia reagido com indignação à expressão, segundo relato da Agência Brasil.

O encontro foi o último confronto direto entre os dois antes do segundo turno, marcado para este domingo, 25. O formato, com três blocos e perguntas por região, está descrito na matéria sobre as regras do debate.

O episódio dos "nove dedos"

Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda aos 17 anos, em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico. Ao responder, disse: "Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa."

Flávio respondeu em seguida: "Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender." O senador retomou o ataque ao governo e perguntou se o presidente pediria desculpas pelo aumento da população em situação de rua. Também repudiou o termo "miliciano", usado pelo adversário.

Sobre esse ponto, a Agência Brasil lembra que o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua contou 365,8 mil pessoas nessa condição em dezembro de 2025. O número é 55% maior que o de 2022, e não 100%, como afirmou o senador. Pesquisadores ouvidos pela agência ponderam que parte da alta pode vir de mudanças na metodologia de contagem e na busca ativa.

Dívida pública e endividamento das famílias

Flávio perguntou a Lula por que as famílias estão "tão endividadas" e citou uma dívida pública de R$ 11 trilhões, referência à Dívida Bruta do Governo Geral medida pelo Banco Central. Atribuiu ao governo os juros elevados e disse que, se eleito, usará a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas de bancos e refinanciá-las.

Lula afirmou que a política de juros é do Banco Central e que o crescimento da economia é o caminho para reduzir a dívida em proporção ao PIB. Sobre a proposta do adversário, disse: "Ele tá copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado." O presidente citou ainda uma operação de renegociação de R$ 15 bilhões que alcançou 4,5 milhões de pessoas. A proposta do senador para suspender dívidas também foi tema de matéria anterior do Resenhando, com a avaliação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que a suspensão de pagamentos "não é possível".

Saúde, licença-maternidade e Bolsa Família

Lula cobrou de Flávio o voto contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio. O senador reconheceu o voto: "Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado." Lula considerou que a resposta não foi objetiva e lembrou postagens antigas em que Flávio chamou o Bolsa Família de "bolsa-farelo". O senador disse que vai manter e ampliar os benefícios sociais, inclusive o Bolsa Família.

No bloco sobre saúde, Lula perguntou como Flávio pretende melhorar o SUS e criticou a gestão da pandemia no governo de Jair Bolsonaro. Flávio disse que manterá e ampliará os investimentos no sistema, criticou as filas de atendimento e afirmou que o corte de gastos que defende, chamado por Lula de "tesouraço", atingirá "a corrupção do atual governo, a burocracia e os impostos". Segundo ele, mais de 30 tributos foram criados ou aumentados na atual gestão. Disse também que as Santas Casas estão endividadas e que pretende reajustar a tabela de procedimentos do SUS.

Acusações sobre Vorcaro

O Jornal de Brasília relatou troca de acusações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. Lula afirmou que Flávio pediu dinheiro ao banqueiro, e o senador respondeu que os recursos foram para a produção do filme "Dark Horse". O jornal acrescenta que a existência de contatos entre os dois, por si só, não demonstra irregularidade. Flávio, por sua vez, afirmou que Lula recebeu do empresário uma garrafa de uísque avaliada em R$ 500 mil; segundo o jornal, a alegação não veio acompanhada de documentos.

O segundo turno ocorre neste domingo, 25. A votação começa às 8h e termina às 17h, no horário de Brasília.