Debate da Globo: Flávio propõe usar a Caixa para renegociar dívidas e Lula diz que é cópia
No segundo bloco, candidatos trocaram propostas sobre endividamento, SUS e Bolsa Família; frase sobre os nove dedos de Lula gerou pedido de desculpas
Flávio Bolsonaro (PL) propôs no debate da TV Globo desta sexta-feira, 23, usar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas de bancos e refinanciá-las. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu que a ideia copia um projeto que o governo já enviou ao Senado.
O embate sobre endividamento ocorreu no segundo bloco, a dois dias do segundo turno, marcado para domingo, 25. Segundo a Agência Brasil, Flávio perguntou por que o presidente deixa as famílias "tão endividadas" e citou uma dívida de R$ 11 trilhões. O número é a Dívida Bruta do Governo Geral, medida pelo Banco Central.
O que cada candidato propôs sobre dívidas
Flávio atribuiu os juros altos ao gasto do governo. Pelo relato do Jornal de Brasília, ele falou em criar um Banco da Prosperidade, com carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas começarem a pagar.
Lula disse que o problema vem da política de juros do Banco Central e que o crescimento da economia reduz a dívida em relação ao PIB. Sobre a proposta do adversário, afirmou: "Ele tá copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado". O presidente citou ainda uma operação de renegociação de R$ 15 bilhões que alcançou 4,5 milhões de pessoas.
No mesmo bloco, Lula perguntou por que a independência do Banco Central foi adotada no governo de Jair Bolsonaro. Flávio respondeu que a autonomia serve para evitar indicações políticas.
A frase dos nove dedos e o pedido de desculpas
O momento de maior tensão veio quando Flávio disse que Lula "dá com uma mão e tira com nove dedos". O presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda aos 17 anos, em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico. Lula reagiu: "Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa". Também chamou o adversário de miliciano.
Flávio pediu desculpas na sequência: "Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade". Em seguida, cobrou do presidente desculpas aos moradores de rua, que, segundo ele, teriam dobrado em número. A Agência Brasil checou o dado. O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua contou 365,8 mil pessoas em dezembro de 2025, alta de 55% sobre 2022, e não de 100%.
Lula lembrou que Flávio votou, como deputado estadual no Rio de Janeiro, contra a ampliação da licença-maternidade. O senador reconheceu o voto e disse que estava errado: acreditava que a medida dificultaria o emprego das mulheres. O presidente também citou postagens antigas em que Flávio chamou o Bolsa Família de "bolsa-farelo". O candidato respondeu que manterá e ampliará os benefícios sociais.
Sobre o SUS, Lula questionou a declaração atribuída a um integrante da equipe econômica de Flávio, segundo a qual não haveria investimento no sistema. O senador prometeu manter e ampliar os recursos. "O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo", disse, e citou mais de 30 impostos que, na sua conta, o governo criou ou aumentou. Flávio também falou em elevar a tabela de procedimentos do SUS e mencionou as Santas Casas endividadas.
Ainda de acordo com o Jornal de Brasília, Lula desafiou Flávio a divulgar suas contas bancárias neste sábado, 24, e disse que apresentaria as dele. Flávio atacou o patrimônio do presidente, citando o sítio de Atibaia e o tríplex do Guarujá. As condenações de Lula nesses casos foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
Na quinta-feira, 22, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia esclarecido que os candidatos não precisam de autorização judicial para abrir os próprios sigilos. Antes do debate, nenhuma das campanhas tinha publicado os dados. A estrutura do debate da Globo, em três blocos, e a agenda dos três encontros de TV do segundo turno estão em matérias anteriores do Resenhando.
Se os dois cumprirem o que combinaram no palco, os extratos devem aparecer neste sábado, 24, véspera da votação.