Caiado declara R$ 52,5 milhões ao TSE e patrimônio cresce 111% desde 2022
Rebanho de R$ 10,48 milhões e imóveis de R$ 36,21 milhões respondem por 89% do total declarado pelo candidato do PSD
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 52.557.930,98 em bens à Justiça Eleitoral ao registrar a candidatura neste sábado, 15 de agosto, último dia do prazo. O valor é 111% maior que os R$ 24,8 milhões informados em 2022, quando o ex-governador de Goiás disputou a reeleição estadual. Gilberto Kassab (PSD) é o candidato a vice na chapa.
O maior item da declaração está na categoria de outros bens imóveis, com R$ 36,21 milhões. O segundo é um rebanho avaliado em R$ 10,48 milhões. Médico e pecuarista, Caiado construiu a carreira política com base no eleitorado do agronegócio e presidiu a União Democrática Ruralista antes de chegar ao Congresso.
A lista enviada ao Tribunal Superior Eleitoral tem 14 itens. Além dos imóveis e do rebanho, aparecem R$ 4,28 milhões em aplicações e investimentos, R$ 1 milhão em quotas ou quinhões de capital, R$ 148,6 mil em outras participações societárias, R$ 243 mil em terreno e R$ 70 mil em uma casa. O veículo automotor declarado está avaliado em R$ 7,1 mil, e o depósito em conta corrente, em R$ 44,8 mil.
O que diz a regra da declaração
A declaração de bens integra o pedido de registro e é obrigatória para todos os candidatos. Os valores são informados pelo preço de aquisição, e não pelo de mercado, o que costuma achatar o patrimônio de quem tem imóveis antigos e ampliar a distância entre a cifra declarada e o valor real. Veículos, aeronaves e embarcações devem ser informados independentemente do valor.
A composição do patrimônio de Caiado é concentrada. Somados, os R$ 36,21 milhões em outros bens imóveis e os R$ 10,48 milhões em rebanho respondem por 89% do total declarado. O restante se divide entre aplicações financeiras, participações societárias e itens de valor baixo, como R$ 133,53 em ações e R$ 16,71 em outros fundos, cifras que aparecem porque a norma obriga a informar cada bem, sem piso de valor.
Os dados ficam abertos no sistema DivulgaCandContas, no portal do TSE. Depois da publicação de cada pedido, partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral têm cinco dias para apresentar impugnação, prazo previsto no artigo 3º da Lei Complementar 64/1990.
Como fica a disputa presidencial
Caiado apresentou o plano de governo da chapa ao TSE na sexta-feira, 14. O documento acompanha o registro e passa a integrar o acervo público da eleição, disponível para consulta de qualquer eleitor no portal do tribunal.
Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, foi confirmado como candidato a vice na chapa. Ele declarou R$ 21 milhões em bens à Justiça Eleitoral, segundo levantamento da Gazeta do Povo, o que leva o patrimônio somado da chapa a cerca de R$ 73,5 milhões.
Na comparação com os demais concorrentes ao Planalto, o patrimônio declarado por Caiado fica acima do de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que informou R$ 4,78 milhões ao TSE, e abaixo do de Romeu Zema (Novo), que declarou R$ 178,8 milhões. O crescimento de 111% em quatro anos é um dos maiores saltos entre os presidenciáveis com patrimônio na casa das dezenas de milhões.
O prazo para registro terminou às 19h deste sábado, conforme o artigo 11 da Lei 9.504/1997. A Justiça Eleitoral agora analisa a documentação e julga eventuais impugnações. Enquanto o registro não é decidido em definitivo, o candidato pode fazer campanha e ter os votos contabilizados, na condição de sub judice.
Os dados enviados ao TSE não detalham a localização dos imóveis nem a composição do rebanho declarado, e a campanha não divulgou nota sobre a variação patrimonial. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.