Lula declara R$ 4,78 milhões ao TSE, 60% menos que 2018 em termos reais
Presidente registrou a candidatura à reeleição neste sábado; previdência privada responde por 69% do patrimônio informado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou neste sábado, 8, a candidatura à reeleição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e declarou patrimônio de R$ 4,78 milhões. É o menor valor informado por ele à Justiça Eleitoral desde 2018 e representa queda de 35,7% em relação aos R$ 7,42 milhões declarados na disputa de 2022.
Quando os valores anteriores são corrigidos pela inflação, a diferença aumenta. Em 2018, Lula declarou R$ 7,99 milhões, o equivalente a R$ 12,08 milhões em valores de junho de 2026 pelo IPCA. Frente a esse número, o patrimônio atual é cerca de 60% menor. O cálculo com o deflator foi publicado pelo Poder360 no mesmo dia do registro.
A comparação com 2022 pela mesma metodologia mostra retração de 46%: os R$ 7,42 milhões daquele ano equivaleriam hoje a R$ 8,86 milhões.
A série declarada por Lula à Justiça Eleitoral nas três últimas disputas presidenciais:
- 2018: R$ 7,99 milhões nominais, ou R$ 12,08 milhões corrigidos pelo IPCA até junho de 2026
- 2022: R$ 7,42 milhões nominais, ou R$ 8,86 milhões corrigidos
- 2026: R$ 4,78 milhões
O que está na declaração
A maior parte do patrimônio informado neste ano está em previdência privada. São dois planos VGBL, com saldos de R$ 1,93 milhão e R$ 1,38 milhão, que somados chegam a R$ 3,31 milhões e respondem por cerca de 69% do total declarado.
O restante inclui participações em imóveis em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, uma casa em construção avaliada em R$ 246,9 mil, um veículo e a cota na L.I.L.S. Palestras, empresa aberta por ele para atividades de conferencista.
A queda em relação a 2022 se concentra justamente nos planos de previdência. Declarações patrimoniais entregues ao TSE são autodeclaratórias e registram os bens pelo valor de aquisição ou pelo saldo informado, sem atualização obrigatória a preço de mercado. Por isso a comparação entre pleitos mede a variação do que foi declarado, não necessariamente a variação da riqueza real do candidato.
Como fica a tramitação
O pedido de registro passa agora pela análise do TSE, que verifica documentação, filiação partidária e eventuais causas de inelegibilidade antes de deferir a candidatura. O prazo legal para o registro se encerra em 15 de agosto.
Junto com o pedido, a campanha protocolou o plano de governo, documento de 84 páginas. Entre os pontos apresentados estão a criação de um Ministério da Segurança Pública, a manutenção do arcabouço fiscal em vigor, a ampliação do Minha Casa Minha Vida e o fortalecimento do Pé-de-Meia, programa de poupança para estudantes do ensino médio.
A publicação das declarações de bens é obrigatória e serve de parâmetro para a fiscalização da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral ao longo do mandato. Divergências entre o que foi declarado e o patrimônio efetivo podem ser apuradas em ação de investigação judicial eleitoral.
Depois do encerramento do prazo, o TSE publica os pedidos e abre janela para impugnações, que podem partir de partidos, coligações, candidatos ou do Ministério Público Eleitoral. Só após esse rito o registro é deferido, indeferido ou julgado prejudicado. Candidatos com registro pendente podem fazer campanha, mas os votos ficam condicionados à decisão final.
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Além da Presidência, estarão em disputa os governos dos 26 estados e do Distrito Federal, dois terços do Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas.
Nas últimas semanas, outros pré-candidatos e parlamentares também entregaram suas declarações, e os valores têm sido acompanhados pelo mesmo critério de correção monetária: converter o declarado em anos anteriores para preços de hoje antes de comparar. Sem esse ajuste, a inflação acumulada no período faz um patrimônio estável parecer crescente.
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