Eleições 2026

Lula e Flávio Bolsonaro concentram 78,6% do gasto de campanha

Presidenciáveis declararam R$ 150,7 milhões ao TSE até 13 de setembro; Lula soma R$ 65,7 milhões e Flávio, R$ 55,3 milhões

Os candidatos à Presidência da República declararam à Justiça Eleitoral R$ 150,7 milhões em gastos de campanha em menos de um mês de disputa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, lidera com R$ 65,7 milhões, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 55,3 milhões. Os dois somam R$ 121 milhões, ou 78,6% de tudo o que foi declarado na disputa presidencial.

Os dados constam do sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral e consideram as despesas informadas até domingo, 13 de setembro. O levantamento foi divulgado pelo Poder360.

Para onde vai o dinheiro

A maior parte dos recursos está concentrada em marketing, publicidade e produção de conteúdo para rádio, televisão e internet. É a rubrica que absorve o grosso do orçamento nas duas campanhas que lideram os gastos.

Na campanha de Lula, a maior despesa registrada até aqui é de R$ 31 milhões com a agência responsável pelos serviços de marketing, a Delta3, dos publicitários Chico Kertész e Raul Guedes Rabelo. A campanha de Flávio Bolsonaro contratou a agência F.A.R.O. por R$ 13,1 milhões para publicidade.

De onde vem o dinheiro

Parte relevante desse volume tem origem pública. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, é dinheiro do Orçamento repassado aos partidos, que decidem a distribuição entre candidatos. Soma-se a ele o fundo partidário, também bancado por recursos públicos e usado na manutenção das legendas ao longo do ano.

O prazo de prestação de contas parcial encerrou em 13 de setembro, e é justamente esse corte que permite comparar os candidatos em uma mesma data. As regras de declaração, prazos e limites de gasto estão detalhadas na Resolução 23.607 do TSE, que o Resenhando destrinchou em TSE detalha as regras de prestação de contas das campanhas de 2026.

Como os gastos se distribuem

O número que descreve melhor a eleição presidencial até aqui não é o total, mas a concentração. Com 78,6% das despesas em dois nomes, os outros candidatos dividem pouco mais de R$ 29 milhões, o que limita a capacidade de comprar tempo de produção, inserções digitais e estrutura de rua.

A dinâmica difere do início da campanha. No primeiro balanço de arrecadação, divulgado em agosto, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), liderava as doações declaradas, com R$ 2,7 milhões, enquanto Lula havia registrado R$ 165,5 mil, como mostrou o levantamento da primeira semana. Um mês depois, o quadro se inverteu com a entrada dos repasses partidários.

Onde consultar os números

Os dados são públicos e ficam no DivulgaCandContas, sistema do TSE que reúne registro de candidatura, bens declarados, receitas e despesas de cada candidato. A consulta é aberta e permite filtrar por cargo, estado e partido, com detalhamento por fornecedor contratado.

Os valores aqui descritos são os que as próprias campanhas informaram ao sistema. Não se trata de estimativa de terceiros nem de gasto apurado por fiscalização: é declaração, sujeita a conferência posterior pela Justiça Eleitoral, que pode identificar omissão ou lançamento indevido na análise das contas finais.

Próximos passos

Os valores ainda podem subir. A prestação parcial é uma fotografia, não o balanço final, e despesas contratadas podem ser lançadas depois. A prestação de contas final é entregue após o pleito e passa por análise técnica do TSE, que pode aprovar, aprovar com ressalvas, desaprovar ou rejeitar as contas.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

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