PL dá a Carol de Toni o dobro do que repassou a Carlos Bolsonaro
Deputada recebeu R$ 4,3 milhões do Fundo Eleitoral e o ex-vereador, R$ 2,15 milhões; os dois disputam as duas vagas do Senado por Santa Catarina
O diretório nacional do PL repassou R$ 4,3 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha à candidatura da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) ao Senado e R$ 2,15 milhões ao ex-vereador Carlos Bolsonaro, candidato do PL à outra vaga por Santa Catarina. A diferença entre os dois integrantes da mesma chapa é de exatamente o dobro.
Os valores destinados a Carol de Toni constam de levantamento da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, publicado em 3 de setembro com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O repasse a Carlos Bolsonaro foi divulgado em 16 de setembro pelo portal Terra, que apontou o partido como única origem dos recursos da campanha dele.
Santa Catarina elege dois senadores em outubro. Jair Bolsonaro definiu a dupla, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, confirmou a chapa pura do partido no estado.
O teto que a arrecadação ultrapassou
Somado a uma doação de R$ 400 mil do empresário Juliano Avila Custodio, o repasse do PL levou a arrecadação de Carol de Toni a R$ 4,7 milhões em 18 dias de campanha. O limite legal de gastos para candidatura ao Senado é de R$ 4,4 milhões em todos os estados e no Distrito Federal, o que colocou a deputada R$ 252,7 mil acima do teto.
A regra eleitoral trata o excedente como sobra de campanha, que precisa ser devolvida ao partido. A multa só incide se o gasto efetivo superar o limite, e nesse caso corresponde a 100% do valor excedente. Até a publicação do levantamento, a candidata havia gasto R$ 1,3 milhão, dentro do permitido.
Carlos Bolsonaro declarou R$ 2,78 milhões em bens ao TSE, entre eles R$ 1,9 milhão em investimentos diversos, dois carros, duas motocicletas e participação nas empresas Bolsonaro Digital Ltda. e WF Advisory Ltda. O patrimônio declarado por Carol de Toni é de R$ 1,4 milhão, o dobro do informado quatro anos antes.
Ausências em debates marcam a campanha
O repasse maior à deputada ocorreu em meio às faltas de Carlos Bolsonaro em debates promovidos por emissoras catarinenses, além de entrevistas e sabatinas. O candidato justificou as ausências com compromissos fora de Santa Catarina e viagens a Brasília.
A convivência entre os dois nomes da chapa também registrou atrito. Flávio Bolsonaro chegou a pedir publicamente que a deputada apoiasse Carlos no estado ou deixasse de usar a imagem dele e a do pai no material de campanha. Em setembro, um grupo de apoio a Carol de Toni deixou de pedir voto para o ex-vereador.
O Fundo Eleitoral de 2026 soma R$ 2,3 bilhões e teve o rateio destravado em agosto, depois da desistência de recurso apresentado pelo PT. Cabe a cada diretório nacional decidir quanto vai para qual candidatura, sem critério legal de distribuição interna além dos percentuais mínimos para mulheres e candidatos negros.
Nem o PL nem as duas campanhas divulgaram manifestação sobre os critérios que definiram os valores repassados.
Leia também: TSE destrava R$ 2,3 bilhões do Fundo Eleitoral após desistência do PT.