Brasil cai 10 posições e ocupa o 134º lugar em liberdade econômica
País perde 0,8 ponto desde 2024 no levantamento da Heritage Foundation, enquanto a Argentina sobe 39 posições
O Brasil ocupa a 134ª posição entre 176 países avaliados no Índice de Liberdade Econômica de 2026, publicado pela Heritage Foundation. O país caiu 10 posições em relação à edição de 2024, quando aparecia em 124º lugar, segundo levantamento divulgado pelo Poder360 em 14 de setembro.
A nota brasileira recuou de 53,2 para 52,4 pontos no período. Na escala do índice, a pontuação coloca a economia do país na faixa classificada como majoritariamente não livre.
O levantamento avalia 12 componentes, agrupados em quatro categorias: Estado de Direito, tamanho do governo, eficiência regulatória e abertura de mercados. Entram na conta itens como carga tributária, gasto público, direitos de propriedade, integridade do governo, liberdade de investimento e barreiras ao comércio exterior.
O contraste com a Argentina é o dado mais expressivo da edição. O país vizinho avançou 39 posições no mesmo intervalo, da 145ª para a 106ª colocação, com a nota subindo de 49,9 para 57,4 pontos. Foi o maior salto da região.
O Chile segue como líder latino-americano e aparece em 17º lugar no ranking global, posição que mantém há sucessivas edições do índice.
A Heritage Foundation é um think tank conservador com sede em Washington, e o índice é publicado desde 1995. A metodologia é aberta e os dados brutos ficam disponíveis para consulta, o que permite verificar componente a componente onde cada país perdeu ou ganhou pontos.
Índices de liberdade econômica não medem desempenho da economia, e sim o ambiente regulatório e institucional em que ela opera. A correlação entre posição no ranking e crescimento é objeto de disputa entre economistas, e a própria escolha dos pesos de cada componente é alvo de crítica metodológica.
A queda brasileira ocorre em ano eleitoral, com a carga tributária e o tamanho do Estado no centro do debate entre os candidatos à Presidência. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Como o índice é montado
Cada um dos 12 componentes recebe nota de 0 a 100, e a pontuação final é a média simples. Países acima de 80 pontos são classificados como livres; entre 70 e 79,9, majoritariamente livres; entre 60 e 69,9, moderadamente livres; entre 50 e 59,9, majoritariamente não livres; e abaixo de 50, reprimidos.
Com 52,4 pontos, o Brasil está a 2,4 pontos da faixa de economias reprimidas e a 7,6 pontos da classificação de moderadamente livre. O intervalo mostra que a variação de um único componente, como carga tributária ou abertura comercial, é suficiente para mover o país de faixa em edições seguintes.
A Heritage Foundation não divulgou detalhamento por componente para o caso brasileiro na nota que acompanhou a publicação.