Nikolas declara ao TSE patrimônio de quase R$ 4 milhões
Em 2022, o deputado havia informado pouco mais de R$ 36 mil em bens à Justiça Eleitoral
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de quase R$ 4 milhões ao registrar a candidatura à reeleição em 2026. Na primeira disputa, em 2022, quando foi o deputado federal mais votado do país, ele havia informado pouco mais de R$ 36 mil em bens.
Os dados constam do sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne as declarações apresentadas pelos candidatos no pedido de registro. A comparação entre as duas declarações foi divulgada pelo Poder360, que calculou crescimento de 10.488% no valor informado entre uma eleição e outra.
O percentual varia conforme o veículo, porque depende da base exata usada em 2022 e do arredondamento aplicado. A Revista Fórum calculou 8.850% para o mesmo intervalo. Os valores absolutos das duas pontas, no entanto, são os mesmos em todas as apurações: de cerca de R$ 36 mil para aproximadamente R$ 3,8 milhões.
O que está na declaração
Entre os bens informados pelo parlamentar estão aplicações financeiras e um imóvel avaliado em R$ 2 milhões. Esse imóvel foi comprado por financiamento e ainda tem saldo devedor de cerca de R$ 1,7 milhão, segundo o próprio deputado.
A regra do TSE explica parte da discrepância entre o número declarado e o patrimônio efetivo. A declaração de bens exige que o candidato informe o valor integral de cada item, sem abater dívidas ou financiamentos em aberto. Um imóvel quitado e outro com 85% do saldo em aberto aparecem pelo mesmo valor na relação.
A resposta do deputado
Em nota, Nikolas Ferreira afirmou que parte significativa do valor divulgado corresponde ao imóvel adquirido com financiamento e que ainda tem saldo devedor expressivo. Ele disse que o total consta da relação patrimonial porque essa é a exigência do sistema, mas que o número não representa o patrimônio líquido.
O deputado também detalhou a origem dos demais rendimentos. Segundo ele, os valores vêm da comercialização de cursos, da venda de livros e da realização de palestras, atividades que exerce desde antes do primeiro mandato.
O que o dado permite e o que não permite concluir
A declaração de bens ao TSE é uma foto do que o candidato informa em cada eleição, não uma auditoria. Ela não é conferida item a item no momento do registro e não é comparada automaticamente com a declaração de imposto de renda, que tramita em outra esfera e é protegida por sigilo fiscal.
Isso significa que a evolução patrimonial declarada serve como indicador público e comparável, mas não como prova de irregularidade. Variações grandes podem decorrer de:
- Compra de bens financiados, informados pelo valor cheio.
- Correção de omissões ou de subdeclaração em pleitos anteriores.
- Rendimentos de atividade privada exercida em paralelo ao mandato.
- Valorização de aplicações financeiras no período.
Nikolas foi eleito deputado federal em 2022 com mais de 1,4 milhão de votos em Minas Gerais, o maior número da história do estado para o cargo. Antes disso, exerceu mandato de vereador em Belo Horizonte, também como o mais votado.
O prazo para os partidos registrarem candidaturas no TSE termina em 15 de agosto. Até as 19h30 de quinta-feira, 6, o sistema já reunia 8.229 pedidos de registro em todo o país, segundo levantamento do Poder360 sobre os dados do tribunal. O número cresce diariamente até o fechamento do prazo.
As declarações de bens de todos os candidatos ficam disponíveis para consulta pública no DivulgaCandContas, com detalhamento por item declarado. A plataforma reúne ainda dados biográficos, certidões criminais e a prestação de contas de campanha de cada candidato e de cada partido.
A evolução patrimonial de parlamentares entre uma eleição e outra costuma virar assunto no período de registro justamente porque essa é a única janela em que o dado se torna público e comparável. Fora dela, a informação sobre bens de detentores de mandato fica restrita à declaração de imposto de renda, protegida por sigilo.
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