Eleições 2026

Lula e Flávio Bolsonaro ficam fora dos cinco presidenciáveis mais ricos

Levantamento no DivulgaCand mostra Marçal, Cury, Zema, Caiado e Grassi à frente dos dois favoritos

Nenhum dos dois favoritos das pesquisas está entre os cinco candidatos à Presidência com maior patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou R$ 4,78 milhões em bens, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou R$ 8,186 milhões, segundo levantamento do Poder360 publicado no domingo (16) com base no DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultado em 15 de agosto.

O topo da lista é ocupado por Pablo Marçal (PRTB), com R$ 7,4 bilhões declarados. O empresário está inelegível até 2032 e ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral para ter a candidatura validada. Ele próprio afirmou que o valor registrado no sistema está errado.

Na sequência aparecem o escritor Augusto Cury (Avante), com R$ 242,28 milhões, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com R$ 178,71 milhões, o governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com R$ 52,56 milhões, e Wilson Grassi (Democrata), com R$ 50 milhões.

O que cada candidato declarou

  • Pablo Marçal (PRTB): R$ 7,4 bilhões
  • Augusto Cury (Avante): R$ 242,28 milhões
  • Romeu Zema (Novo): R$ 178,71 milhões
  • Ronaldo Caiado (PSD): R$ 52,56 milhões
  • Wilson Grassi (Democrata): R$ 50 milhões
  • Flávio Bolsonaro (PL): R$ 8,186 milhões
  • Lula (PT): R$ 4,78 milhões
  • Clariana Barão (DC): R$ 1,82 milhão
  • Renan Santos (Missão): R$ 800 mil
  • Edmilson Costa (PCB): R$ 450 mil
  • Samara (UP): R$ 30 mil
  • Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO): sem bens tributáveis declarados

O que o número diz e o que ele não diz

A declaração de bens entregue no registro de candidatura reproduz o que o candidato informou à Receita Federal. Ela lista imóveis, veículos, aplicações e participações societárias pelo valor de aquisição, e não pelo preço de mercado. Por isso, um imóvel comprado há 20 anos entra na conta pelo valor da escritura da época.

A regra vale para todos, mas o efeito não é o mesmo para todos. Quem tem patrimônio concentrado em imóveis antigos aparece com número menor do que o valor real. Quem tem participação em empresas de capital fechado depende do critério contábil informado. O dado é, portanto, um retrato declaratório, sujeito à checagem da Receita e da Justiça Eleitoral.

A divergência entre declaração e realidade é justamente o ponto levantado pelo candidato com o maior valor da lista. Marçal contestou publicamente o registro de R$ 7,4 bilhões atribuído a ele no sistema.

Treze nomes na disputa

São 13 candidaturas ao Palácio do Planalto registradas nestas eleições, número que consta do balanço divulgado pelo TSE após o encerramento do prazo de registro, em 15 de agosto. Todas passam por análise da Justiça Eleitoral, que pode indeferir pedidos até a data limite fixada em calendário.

A eleição está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

Leia também: Marçal declara R$ 7,4 bilhões ao TSE e diz que o valor está errado.

O outro extremo da lista

Na ponta oposta estão candidaturas de partidos de esquerda com estruturas pequenas. Samara (UP) declarou R$ 30 mil. Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) informaram não ter bens tributáveis. Edmilson Costa (PCB) declarou R$ 450 mil, e Renan Santos (Missão), R$ 800 mil.

Entre os nomes do centro da tabela, Clariana Barão (DC) aparece com R$ 1,82 milhão, valor abaixo do declarado por Lula e por Flávio Bolsonaro.

A comparação de patrimônio entre eleições é o dado que costuma render mais checagem depois do registro, porque expõe a variação em quatro anos. Parlamentares que disputam outros cargos neste ano tiveram saltos expressivos, como Simone Tebet, cujo patrimônio passou de R$ 2,3 milhões para R$ 10,6 milhões, e Arthur Lira, que foi de R$ 6 milhões para R$ 26 milhões.

Os dados podem ser conferidos por qualquer eleitor no DivulgaCand, no site do TSE, que traz nome, partido, número, bens declarados e situação do registro de cada candidatura.

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