Eleições 2026

Dois senadores disputam a Presidência e dez tentam governos

Levantamento da Agência Senado mostra o menor número de senadores candidatos a governos estaduais desde 1982; cinco dos dez são do PL

Dois senadores disputam a Presidência da República nas eleições de 4 de outubro e outros dez concorrem a governos estaduais, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira, 18, pela Agência Senado com base nos registros de candidatura. É o menor número de senadores candidatos ao governo de um estado desde 1982, quando também foram registrados dez.

Na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é candidato a presidente. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), licenciado do mandato, concorre como vice na chapa encabeçada por Romeu Zema (Novo). Os dois encerram os mandatos no Senado em 31 de janeiro de 2027.

Quem tenta os governos estaduais

Dos dez senadores que disputam governos estaduais, apenas um está em fim de mandato. Os outros nove seguem no Senado até 2031 e podem voltar ao plenário caso percam a eleição de outubro, sem custo político imediato para a bancada.

  • Alan Rick (Republicanos-AC)
  • Cleitinho (Republicanos-MG)
  • Efraim Filho (PL-PB)
  • Marcos Rogério (PL-RO), único em fim de mandato
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Professora Dorinha Seabra (União-TO)
  • Renan Filho (MDB-AL)
  • Sergio Moro (PL-PR)
  • Wellington Fagundes (PL-MT)
  • Wilder Morais (PL-GO)

A concentração de candidaturas no PL chama a atenção na lista: cinco dos dez nomes são do partido, que também lançou o candidato à Presidência. Republicanos aparece com dois, e PSD, MDB e União Brasil, com um cada.

O que está em jogo no Senado

A Casa renova um terço das 81 cadeiras neste ano, com uma vaga em disputa por unidade da Federação. Quem hoje ocupa mandato até 2031 e disputa outro cargo mantém a cadeira em caso de derrota, o que reduz o risco pessoal da aposta e mantém a composição da Casa praticamente intacta nesse grupo.

O levantamento divulgado na véspera pela mesma Agência Senado mostrou que 32 senadores tentam a reeleição em 4 de outubro, entre 314 candidatos registrados para as vagas em disputa.

Os números partem dos registros protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ainda podem mudar. Candidaturas registradas passam por julgamento de impugnações, e o quadro definitivo só é conhecido depois da decisão da Justiça Eleitoral sobre cada pedido.

A comparação com 1982 tem peso próprio. Naquele ano, o país voltou a eleger governadores pelo voto direto depois de quase duas décadas de indicação, e dez senadores deixaram a Casa para disputar os executivos estaduais. O mesmo total se repete agora, em uma eleição em que o Senado tem servido de plataforma para quem quer chegar ao comando dos estados.

Para o eleitor, a diferença prática está no risco assumido por cada candidato. Senador com mandato até 2031 que perde a disputa estadual volta ao plenário no dia seguinte à eleição e mantém voto em pauta de reforma, orçamento e indicação de autoridade. Quem está em fim de mandato, caso de Marcos Rogério, joga a carreira parlamentar na mesma urna.

A Agência Senado não informou quantos dos dez candidatos a governador se licenciaram do mandato para fazer campanha. Girão é o único citado expressamente como licenciado no levantamento.

Quem vencer a disputa estadual deixa a cadeira no Senado ao tomar posse no governo, em 1º de janeiro. A vaga passa ao primeiro suplente eleito na mesma chapa em 2022, regra prevista na Constituição. O efeito é conhecido: parte da bancada que o eleitor escolheu para o mandato de oito anos chega ao fim do período ocupada por nomes que nunca disputaram voto majoritário sozinhos.

O mesmo vale para quem for eleito vice-presidente. Girão, se a chapa de Zema vencer, deixa o Senado ao ser diplomado e empossado, e a cadeira do Ceará passa ao suplente até o fim do mandato, em janeiro de 2027.

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