Eleições 2026

Filho de Mãe Bernadete desiste de disputar vaga de deputado federal

Jurandy Pacífico alega risco à segurança da família; federação PSOL-Rede não informou se substituirá o nome na chapa da Bahia

Jurandy Wellington Pacífico dos Santos, filho da líder quilombola Bernadete Pacífico, assassinada em 2023, desistiu de disputar uma vaga de deputado federal pela Bahia. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira, 17 de agosto, e teve como motivo declarado a segurança dele e da família.

Jurandy havia sido homologado como candidato pela federação PSOL-Rede em 24 de julho e concorreria com o nome de urna "Pacífico de Mãe Bernadete". Era a primeira participação dele em uma eleição.

"Por motivo de segurança, pela família está me orientando para não sair, que eu não posso adentrar todos os lugares", afirmou, em declaração divulgada pela Agência Brasil.

Ele acrescentou que a avaliação levou tempo. "Depois de muita reflexão, compreendi neste momento que continuar com a candidatura poderia representar uma exposição ainda maior", disse. E completou: "A candidatura pode parar, mas a luta continua. Desistir dessa candidatura nunca foi e nunca será desistir da luta por segurança".

O histórico de violência contra a família

Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, era líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, Yalorixá e ex-secretária de Promoção da Igualdade Racial do município. Foi morta a tiros dentro de casa, no território quilombola, em agosto de 2023.

O crime ocorreu seis anos depois do assassinato de outro filho dela, Binho do Quilombo, também morto em contexto de disputa por terra na mesma região, segundo a Agência Brasil. Jurandy é o único filho vivo.

Em abril de 2026, a Justiça da Bahia condenou dois acusados pelo assassinato de Mãe Bernadete. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que acompanhou o júri, um dos réus, apontado como articulador do crime, foi julgado à revelia por estar foragido e condenado a 29 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial fechado.

Os dois réus levados a júri, Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, foram denunciados pelo Ministério Público da Bahia. Arielson foi apontado na denúncia como participante da execução e estava preso preventivamente. Marílio, tido pela acusação como mandante, seguia foragido no período do julgamento.

Como fica a vaga na chapa

A federação PSOL-Rede não informou até a publicação se pretende substituir o nome na chapa de deputado federal pela Bahia. O artigo 13 da Lei 9.504/1997 faculta ao partido ou à coligação substituir candidato que renuncie após o termo final do prazo de registro.

A escolha do substituto segue o estatuto do partido a que pertencia o substituído, e o registro precisa ser requerido em até dez dias contados do fato que deu origem à substituição. O parágrafo 3º do mesmo artigo, na redação dada pela Lei 12.891/2013, estabelece que a substituição só se efetiva se o novo pedido for apresentado até 20 dias antes do pleito, com exceção dos casos de falecimento.

Procurados, a federação e a campanha não haviam se manifestado sobre a recomposição da chapa até o fechamento desta reportagem. A informação sobre a desistência foi divulgada inicialmente pela Agência Brasil.

A desistência ocorre em ano de eleição geral, com disputa por 513 cadeiras na Câmara dos Deputados. Na Bahia, a federação PSOL-Rede havia homologado a chapa em julho, dentro do prazo de convenções, e Jurandy entrava como estreante em disputa eleitoral, na condição de herdeiro político de uma liderança quilombola morta por causa da atuação dela.

Leia também: o registro de candidaturas de 2026 e a queda em relação a 2022.

2 visualizações