Patrimônio de Simone Tebet passa de R$ 2,3 mi a R$ 10,6 mi em 4 anos
Ex-ministra do Planejamento declarou ao TSE alta de 356%, concentrada em uma gleba de terras em Alvorada do Sul; assessoria fala em regularização
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet, candidata ao Senado por São Paulo, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 10,6 milhões, valor 356% maior que os R$ 2,3 milhões informados na disputa de 2022.
Os números constam das declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram divulgados pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, em 14 de agosto. Tebet comandou o Ministério do Planejamento e Orçamento de 1º de janeiro de 2023 até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar a eleição.
O salto de R$ 8,3 milhões em quatro anos se concentra em um único item: uma gleba de terras rurais em Alvorada do Sul (MS), declarada por R$ 8,9 milhões. Sem esse bem, o restante do patrimônio soma cerca de R$ 1,7 milhão.
O que diz a declaração
A relação de bens informada ao TSE em 2026 está distribuída entre imóveis rurais e urbanos em três municípios de Mato Grosso do Sul, além de duas aplicações financeiras:
- Terras rurais em Alvorada do Sul (MS): R$ 8,9 milhões;
- Terras rurais em Caarapó (MS): R$ 457,2 mil;
- Três apartamentos em Campo Grande: R$ 310 mil, R$ 200 mil e R$ 81,9 mil;
- Apartamento em Três Lagoas: R$ 200 mil;
- Três terrenos urbanos em Três Lagoas: R$ 100 mil, R$ 100 mil e R$ 94 mil;
- Casa em Três Lagoas: R$ 69,3 mil;
- Duas aplicações em CDB: R$ 33,1 mil e R$ 2 mil;
- Saldo em cartão pré-pago em dólar: R$ 83,21.
Descontada a inflação medida pelo IPCA no período, o crescimento real do patrimônio é de aproximadamente 275%, segundo cálculo do Correio do Estado. O registro da candidatura foi protocolado em 13 de agosto, dentro do prazo legal para os pedidos desta eleição.
O que diz a candidata
Procurada pelos veículos que publicaram os dados, a assessoria da ex-ministra atribuiu a variação à regularização documental de um bem antigo da família, e não a uma aquisição recente.
"A somatória de R$ 8 milhões refere-se a uma gleba, adquirida pela família há quase 30 anos, que passou para o nome da candidata por meio de antecipação de herança feita pela mãe, que mantém o usufruto do imóvel", informou a assessoria em 14 de agosto.
A declaração de bens ao TSE é obrigatória no registro de candidatura e usa valores informados pelo próprio candidato, sem reavaliação de mercado. Por isso, terras e imóveis podem aparecer por valores de aquisição, de escritura ou atualizados, o que explica parte das variações entre eleições. A regularização de um bem antigo, como a informada pela assessoria, entra na declaração pelo valor atual, e não pelo preço pago décadas antes.
Tebet disputa uma das duas vagas de São Paulo no Senado. Filiada ao MDB por quase três décadas, ela teve o nome oficializado à vaga em convenção do PSB no estado, na chapa articulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, com Márcio França como candidato a vice. O PSB também apoiou Marina Silva à outra vaga de senadora.
Antes de ir para a Esplanada, Tebet cumpriu mandato de senadora por Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2023. Em 2019, foi a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Também integrou a comissão especial do impeachment de Dilma Rousseff e a CPI da Covid-19, em 2021. Em 2022, disputou a Presidência da República.
O Resenhando acompanha a série de declarações de patrimônio desta eleição: Arthur Lira declarou R$ 25,96 milhões, Pablo Marçal registrou R$ 7,4 bilhões e disse que o valor está errado e Romeu Zema informou R$ 178,8 milhões.