Eleições 2026

Candidatos à Presidência abrem campanha em seus redutos eleitorais

Lula na Vila Euclides, Flávio em Copacabana e Caiado no entorno do DF marcam o primeiro dia

Os candidatos à Presidência da República abriram a campanha eleitoral neste domingo, 16 de agosto, cada um no reduto onde construiu a própria trajetória política. A propaganda eleitoral de rua está liberada de 16 de agosto a 3 de outubro, e os comícios podem ser realizados até 1º de outubro, entre 8h e meia-noite.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco das assembleias do movimento sindical do fim dos anos 1970 e começo dos 1980. O ato reuniu caravanas do partido vindas de outros estados. "A partir de hoje, só vamos dormir direito em 5 de outubro", disse o candidato à reeleição.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentrou a estreia na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ao comentar a comparação com o pai, afirmou: "Sei que pareço com ele. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé".

Onde cada candidato começou

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) percorreu municípios goianos do entorno do Distrito Federal, região que faz fronteira com o estado que administrou de 2019 até março deste ano. O roteiro passou por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, e terminou em Luziânia.

O percurso de Caiado foi feito em carreata. O candidato deixou o governo de Goiás em março deste ano para disputar a Presidência, depois de dois mandatos à frente do estado.

O ex-governador Romeu Zema (Novo) fez o ato de largada em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, na obra do Contorno Viário do município. "O que eu fiz aqui eu vou fazer no Brasil. Sem roubalheira, sem corrupção", declarou.

Renan Santos, candidato pelo Missão, abriu a campanha no Largo São Francisco, em São Paulo, onde fica a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em que estudou. Augusto Cury (Avante) escolheu a Praça Getúlio Vargas, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Hertz Dias (PSTU) dividiu o dia entre a avenida Paulista, na capital paulista, e São José dos Campos, no interior do estado.

O que a escolha do palanque indica

A coincidência de estratégia tem leitura direta: nenhum dos principais nomes começou disputando terreno adversário. Todos priorizaram registrar imagem de mobilização onde a base já está consolidada, o que reduz o risco de ato esvaziado no primeiro dia e garante material de vídeo para as redes na largada.

No caso de Caiado, a escolha do entorno do DF tem peso eleitoral próprio. A região metropolitana reúne municípios goianos com forte fluxo diário para Brasília, e o candidato governou Goiás por dois mandatos consecutivos até deixar o cargo para disputar a Presidência.

Lula e Flávio Bolsonaro apostaram em locais de carga simbólica: Vila Euclides remete à formação sindical do petista, e Copacabana foi o palco dos maiores atos de rua do bolsonarismo nos últimos anos.

A propaganda no rádio e na televisão e os debates entram nas próximas etapas do cronograma definido pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O que muda com a largada

A liberação da propaganda de rua altera o que cada campanha pode fazer. A partir deste domingo, estão autorizados comício, carreata, caminhada, distribuição de material impresso e uso de carro de som dentro dos limites de horário e de decibéis fixados na legislação.

No ambiente digital, o ciclo de 2026 traz uma exigência nova. A resolução do TSE para estas eleições obriga a rotulagem de conteúdo produzido ou alterado por inteligência artificial em peça de campanha, regra que vale tanto para material orgânico quanto para impulsionamento pago.

O impulsionamento de conteúdo continua permitido apenas para candidatos, partidos, federações e coligações, com identificação do responsável pelo pagamento. Propaganda paga por terceiro não identificado segue vedada.

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