Eleições 2026

Marçal declara R$ 7,4 bilhões ao TSE e diz que o valor está errado

Declaração feita no registro da candidatura à Presidência coloca o empresário como o candidato mais rico da disputa; 90% do total está em uma única aplicação de renda fixa

O candidato à Presidência da República Pablo Marçal (PRTB) declarou patrimônio de R$ 7,4 bilhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao registrar a candidatura, no sábado, 15, e afirmou em seguida que o valor está errado e será corrigido. Com a declaração como está no sistema do tribunal, o empresário é o candidato mais rico da disputa presidencial de 2026.

Os dados constam do registro apresentado à Justiça Eleitoral e foram divulgados pela Gazeta do Povo. Segundo o Estadão, Marçal disse que houve erro no preenchimento das informações enviadas ao TSE e afirmou já ter acionado a equipe para refazer os números. Ele não informou qual seria o valor correto do patrimônio depois da correção. A reportagem não teve acesso a uma retificação já protocolada no tribunal até a publicação deste texto.

O candidato a vice na chapa é Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB, que declarou R$ 495 milhões.

Como o patrimônio foi declarado

A maior parte do valor está concentrada em um único item. Marçal declarou R$ 6,7 bilhões em aplicação de renda fixa do tipo CDB/RDB no Banco Itaú, o que corresponde a cerca de 90% de tudo o que informou à Justiça Eleitoral. O restante está distribuído entre imóvel e participações societárias.

  • Renda fixa (CDB/RDB) no Banco Itaú: R$ 6,7 bilhões
  • Terreno urbano em Santana de Parnaíba (SP): R$ 490 milhões
  • Aviation Participações Ltda, 80% das quotas: R$ 80 milhões
  • Marçal Holding Ltda, 50% das quotas: R$ 19,8 milhões
  • Integralização Contratual, 75%: R$ 9,2 milhões
  • Marçal Participações Ltda, 90% das quotas: R$ 2,5 milhões

A comparação com a declaração anterior explica por que o número chamou atenção. Em 2024, quando disputou a prefeitura de São Paulo, Marçal informou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 169,5 milhões. O valor apresentado agora é 43,8 vezes maior, uma variação de 4.276% em dois anos.

A declaração de bens ao TSE é autodeclaratória. O candidato preenche os valores e responde por eles; o tribunal não audita o conteúdo no momento do registro. Divergências entre o que foi declarado e o patrimônio real podem ser questionadas em ação própria, e a correção de dados é admitida enquanto o processo de registro estiver em andamento.

O que trava o registro

O registro da candidatura ainda depende de decisão judicial. Marçal foi declarado inelegível até 2032 pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), e sem a reversão dessa condenação a chapa não pode ser deferida pelo TSE.

O caso também está sob contestação de adversários. O Partido Novo entrou com pedido de impugnação do registro de Marçal no TSE, conforme o Resenhando publicou no domingo, 16. A legenda sustenta que a inelegibilidade reconhecida em São Paulo impede a candidatura à Presidência.

O prazo de registro de candidaturas para as eleições de outubro terminou no sábado, 15, e os pedidos passam agora pela fase de exame do TSE, que analisa impugnações antes de deferir ou indeferir cada chapa. Nesse intervalo, os candidatos podem fazer campanha, mas ficam sujeitos à decisão do tribunal.

Procurada, a campanha de Marçal não havia se manifestado sobre a impugnação apresentada pelo Novo até a publicação deste texto. O PRTB também não comentou publicamente o erro apontado pelo próprio candidato na declaração de bens.

A declaração patrimonial de todos os candidatos registrados fica disponível no DivulgaCandContas, sistema público do TSE, e é atualizada conforme o tribunal processa as retificações protocoladas pelas campanhas.

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