PL registra quase o dobro de candidatos ao Senado que o PT em 2026
São 33 candidaturas do partido de Bolsonaro contra 19 do partido de Lula; 314 disputam 54 vagas
O PL registrou 33 candidaturas ao Senado nas eleições de outubro, contra 19 do PT, segundo levantamento da Agência Senado divulgado nesta segunda-feira, 17, com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro tem quase o dobro de nomes do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa por 54 das 81 cadeiras da Casa.
Ao todo, 314 candidatos disputam as vagas, o que dá média de 5,8 concorrentes por cadeira. Cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores nesta eleição, que renova dois terços do Senado.
Além dos 33 candidatos próprios, o PL declarou apoio a outros 14 nomes de siglas como União Brasil, Novo e Republicanos, e tem candidato em 25 das 27 unidades da federação. O PT também apoia candidatos de outros partidos em 18 estados, entre eles Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Helder Barbalho (MDB-PA), Cid Gomes (PSB-CE), Carlos Fávaro (PSD-MT), Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP).
Entre os demais partidos, o UP registrou 23 candidaturas, o PSOL, 21, o MDB, 19, o DC, 18, o PSTU, 17, e o PSD, 15.
Como fica a disputa por estado
A concorrência varia de forma acentuada pelo país. O Piauí concentra a disputa mais acirrada, com dez candidatos por vaga. Alagoas tem a menor relação, com 3,5 candidatos por cadeira.
A estratégia de lançar candidatura própria em quase todos os estados amplia o alcance da legenda no horário eleitoral gratuito e nas coligações proporcionais, mas divide voto quando há mais de um nome do mesmo campo político no mesmo estado. Já a opção por apoiar candidatos de outras siglas concentra voto, ao custo de reduzir a bancada própria eleita.
O total de 314 candidatos representa queda de 10,8% em relação aos 352 registrados em 2018, na última eleição que renovou dois terços do Senado.
A conta de cadeiras explica o interesse dos partidos. Como cada unidade da federação elege dois senadores nesta eleição, o eleitor vota em dois nomes, e a segunda vaga costuma ser decidida por margem estreita. Uma sigla que lança candidato em 25 estados, como o PL, aposta em converter esse segundo voto onde não é favorita à primeira colocação.
Já a estratégia do PT de apoiar nomes de outros partidos em 18 estados, boa parte deles quadros com mandato ou passagem por governo estadual, indica prioridade à composição da futura bancada de apoio no Senado, e não à ampliação da bancada própria.
O perfil de quem disputa
O levantamento da Agência Senado traça o retrato dos concorrentes. Homens são 245, ou 78% do total; mulheres somam 69 candidaturas, ou 22%.
- Cor ou raça: 191 candidatos se declararam brancos (60,8%) e 117 se declararam pardos ou pretos (37,3%)
- Idade: 205 têm 50 anos ou mais (65,3%), com idade mediana de 56 anos
- Escolaridade: 248 têm ensino superior completo (79%)
- Estado civil: 194 são casados (61,8%)
O Senado tem mandato de oito anos, o dobro do mandato de deputado federal, e concentra atribuições que não passam pela Câmara: aprovar indicações para o Supremo Tribunal Federal, para tribunais superiores, para o Banco Central e para embaixadas, além de julgar autoridades em processos de impeachment. É essa a disputa que se decide em outubro.
Os números do TSE são preliminares. Os registros ainda passam pelo julgamento da Justiça Eleitoral, e candidaturas podem ser indeferidas até a véspera do pleito, o que altera o total final de concorrentes.
O quadro completo do registro de candidaturas em todos os cargos foi detalhado no balanço de 20.501 candidatos apresentados ao TSE.