Lula é reeleito com 51,75% dos votos válidos e Flávio não reconhece o resultado
Com 98,2% das urnas apuradas, petista tem mais de 4,4 milhões de votos de vantagem; senador do PL diz que vai pedir anulação do segundo turno
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25, com 51,75% dos votos válidos e mais de 4,4 milhões de votos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 98,2% das urnas apuradas. Flávio disse que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação do segundo turno.
Os números de Lula constam da apuração acompanhada pela Agência Brasil: 64.060.863 votos com a totalização em 98,2%. A contagem oficial completa fica no painel de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Como ficou a votação
- Lula (PT): 64.060.863 votos, 51,75% dos válidos, com 98,2% das urnas apuradas.
- Flávio Bolsonaro (PL): mais de 59 milhões de votos, segundo a Agência Brasil.
- Diferença: mais de 4,4 milhões de votos, número citado no momento em que Flávio falou à imprensa.
Lula tem 80 anos e completa 81 na terça-feira, 27. Governou o país de 2003 a 2010 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023. Segundo a Agência Brasil, ele afirma que o quarto mandato será o último. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027, data fixada pela Emenda Constitucional 111.
No segundo turno, a campanha petista apostou em vídeos gravados pelo próprio candidato e na mobilização de rua. O deputado André Janones (Rede-MG) criou o grupo "Exército de Lula" no WhatsApp, que, de acordo com a agência, reuniu mais de 10 milhões de pessoas. Lula agradeceu a Janones no discurso da vitória.
Em coletiva em um hotel de São Paulo, por volta das 22h20, o presidente reeleito disse que a eleição exigiu vencer uma "intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais" e que pretende regulá-las. Depois seguiu para a Avenida Paulista, onde falou aos apoiadores. Antes disso, em 24 de outubro, ele havia encerrado a campanha com uma caminhada no mesmo local.
O que Flávio Bolsonaro diz que vai contestar
Em declaração diante do comitê de campanha, em Brasília, Flávio afirmou: "É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições." O alvo é a prorrogação do horário de votação decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que ele chamou de mudança de regra "no meio do jogo".
Zanin decidiu perto das 17h, hora prevista para o fim da votação, estender o prazo até as 19h. O ministro citou relatos de dificuldade de transporte de eleitores, sobretudo na Bahia e na capital paulista. Depois que o TSE informou que várias urnas já tinham sido fechadas, esclareceu que a extensão valia só para as seções ainda abertas. A agência registra que o pedido partiu das duas candidaturas, inclusive a de Flávio.
Kassio Nunes Marques, ministro que preside o TSE, disse em coletiva que recebeu o pedido por volta das 15h30, que não havia norma autorizando prorrogação e que a decisão, tomada depois das 17h, gerou "dificuldades para o processo eleitoral". Ele afirmou que as denúncias de restrição ao transporte coletivo serão apuradas pela Justiça Eleitoral. A campanha de Lula havia relatado o problema em municípios de dez estados, entre eles Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Flávio saiu sem responder a perguntas. Os instrumentos jurídicos disponíveis e os prazos para esse tipo de pedido estão detalhados na matéria do Resenhando sobre o caminho jurídico da anulação do segundo turno.
Como reagiram as instituições
Edson Fachin, presidente do STF, divulgou nota em que reafirma "o respeito à vontade soberana do povo brasileiro, livremente manifestada nas urnas" e diz que as divergências devem ser resolvidas nos limites da Constituição. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, fizeram pronunciamento conjunto em Brasília para saudar Lula. Motta pediu que o presidente reeleito avalie "acertos" e "erros" e disse que o país chega dividido ao novo mandato. Alcolumbre falou em fortalecer as instituições.
No primeiro turno, Flávio havia vencido em mais municípios que Lula, 2.906 contra 2.663, segundo o levantamento do Poder360 sobre as cidades. Agora o próximo passo é jurídico: o TSE conclui a totalização, e a campanha derrotada diz que levará à Justiça Eleitoral o pedido para anular o segundo turno.