Política

Rubio nega que EUA tenham ajudado Flávio Bolsonaro a sair do Brasil, mas confirma visto e entrada

Secretário de Estado dos EUA diz que o governo não facilitou a saída de Flávio, mas confirma visto e 'parole' autorizados por Trump.

Neste texto3 tópicos
  1. O que Rubio disse sobre a saída de Flávio
  2. O que se sabe sobre o trajeto e a ordem do STF
  3. O contexto diplomático

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo americano tenha ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a deixar o Brasil depois da derrota na eleição presidencial. Rubio confirmou, porém, que Flávio tinha visto garantido e que o presidente Donald Trump autorizou a entrada dele no país.

A declaração, divulgada pelo Metrópoles, sai no dia em que termina a reunião de chanceleres do G20, em Atlanta. Segundo a Agência Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Rubio se encontraram na noite de sexta (30) e combinaram uma reunião bilateral antes da cúpula do grupo, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami.

O que Rubio disse sobre a saída de Flávio

De acordo com o Metrópoles, o secretário afirmou: "Nós não facilitamos nada. Quer dizer, soubemos que ele chegou aos EUA. Ele já tinha um visto garantido. E o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país. E nós permitimos". Rubio acrescentou que o governo americano não participou diretamente de nenhum dos arranjos para a saída.

O secretário disse ainda que Trump havia deixado claro que, se Flávio chegasse a uma alfândega americana, receberia uma "parole", a permissão de entrada concedida por decisão do governo. "E ele recebeu", declarou Rubio.

A negativa tem um limite descrito na própria reportagem. Segundo o Metrópoles, Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, admitiu ser o responsável por organizar o jato particular que levou o senador. Rubio não comentou esse ponto nas falas reproduzidas pelo jornal.

O que se sabe sobre o trajeto e a ordem do STF

Flávio foi derrotado nas urnas em 25 de outubro. No mesmo dia, a Polícia Federal pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o recolhimento dos passaportes do senador, por indícios de que ele poderia deixar o país. Segundo o Metrópoles, Flávio foi avisado da ordem na segunda-feira (26), ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. A ordem alcançava o passaporte pessoal e o diplomático, que foi o usado na entrada nos Estados Unidos.

O percurso, conforme a reportagem: Flávio cruzou a fronteira terrestre com a Argentina por Foz do Iguaçu (PR), embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú e chegou a Miami na manhã de quarta-feira (28), depois de escala em Guayaquil, no Equador. Em nota, a PF informou que não encontrou registro de saída dele pelos postos brasileiros de controle migratório. A corporação apura as circunstâncias do descumprimento da decisão judicial e esclareceu que a proibição de viajar não faz do investigado, por si só, um foragido.

Flávio é investigado na Petição 16.877, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligadas ao advogado Willer Tomaz e a negócios com plataformas de apostas. Há ainda uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, que, segundo a Agência Brasil, envolve um pagamento de R$ 60 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador nega qualquer irregularidade, informa a Agência Brasil.

O contexto diplomático

A Agência Brasil relata que parlamentares democratas enviaram carta a Rubio questionando a suposta ajuda da Casa Branca à viagem. O mesmo texto registra que Trump evitou reconhecer a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que Flávio também não reconhece a derrota. A resposta de Rubio aos democratas não foi divulgada até a publicação desta nota.

Procurada, a defesa de Flávio não havia se manifestado sobre a declaração de Rubio nas reportagens consultadas. O próximo ponto de contato oficial entre os dois governos é a bilateral entre Vieira e Rubio, ainda sem data, antes da cúpula de Miami.

Fontes: Agência Brasil e Metrópoles, de 30 e 31 de outubro de 2026.