Vieira e Rubio combinam reunião após a reeleição de Lula e a ida de Flávio aos EUA
Chanceleres conversaram no coquetel do G20, em Atlanta; bilateral deve ocorrer antes da cúpula de dezembro, em Miami
O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tiveram na noite de sexta-feira, 30, o primeiro contato desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país. A conversa foi breve, no coquetel de boas-vindas da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, e terminou com a combinação de uma reunião bilateral, segundo a Agência Brasil.
O encontro formal ainda não tem data. Vieira e Rubio querem marcá-lo antes da cúpula de chefes de Estado do G20, prevista para 14 e 15 de dezembro, em Miami. Os Estados Unidos ocupam a presidência rotativa do grupo em 2026, e a Casa Branca recebe os chanceleres em Atlanta entre sexta e sábado, 31, com pauta de geopolítica, mercado de energia e cadeias de suprimentos.
A aproximação acontece com o pano de fundo da fuga de Flávio. O senador foi derrotado por Lula no segundo turno, em 25 de outubro, e deixou o Brasil depois de a Polícia Federal pedir o confisco do passaporte dele, por entender que havia risco de fuga. Ele chegou aos Estados Unidos na quarta-feira, 28, e a Agência Brasil informa que o presidente Donald Trump confirmou ter autorizado a entrada do senador e de familiares.
Trump disse, na quarta, que “não vai se envolver” e chamou a eleição brasileira de “muito estranha”, sem apresentar provas de irregularidade. Segundo a Agência Brasil, Trump evitou reconhecer a vitória de Lula.
O que mais Vieira fez em Atlanta
Na sexta, o chanceler brasileiro participou da sessão de abertura e teve reuniões bilaterais com os ministros de Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, do Reino Unido, Ed Miliband, e da Polônia, Radosław Sikorski. O Itamaraty informou, em rede social, que os três cumprimentaram Vieira pela reeleição de Lula. O indiano pediu que as congratulações do primeiro-ministro Narendra Modi fossem transmitidas ao presidente brasileiro.
Parlamentares do Partido Democrata enviaram carta a Rubio para questionar a suposta ajuda da Casa Branca à viagem de Flávio. A Agência Brasil não detalha a resposta do Departamento de Estado, e o texto da carta não foi divulgado na íntegra.
Itamaraty e a Argentina
Em outra frente diplomática, o Itamaraty convocou na quinta-feira, 29, a encarregada de negócios da embaixada argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para explicar o papel do governo de Javier Milei na saída do senador, segundo duas fontes do governo brasileiro ouvidas pela Reuters. Ela foi recebida pelo diretor do Departamento de América do Sul, embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz. O chanceler argentino, Pablo Quirno, disse que o governo brasileiro não pediu explicações. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não comentou.
Flávio é investigado em inquéritos sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas, entre eles o que apura um pagamento de R$ 60 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse. O senador nega irregularidade. Em carta divulgada na quinta, ele agradeceu a Milei e a Trump pelo apoio. Acompanhe a reação de Michelle Bolsonaro à derrota e o voto da Argentina contra o fim do embargo a Cuba na ONU.
Os chanceleres do G20 voltam a se reunir neste sábado, 31, em Atlanta. A data da bilateral entre Vieira e Rubio ainda não foi anunciada.