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DOJ de Trump processa o Alasca e FBI apura candidato homônimo a senador

Procurador federal diz que caso avança de forma intensa e rápida; Peltola e o comitê democrata negam envolvimento

Neste texto3 tópicos
  1. O que pede a ação do Departamento de Justiça
  2. A reportagem do New York Times e as negativas
  3. O que dizem os professores sobre a ação

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o FBI ampliaram a investigação sobre a candidatura de um segundo Dan Sullivan na disputa pelo Senado no Alasca, a três dias das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira, 3 de novembro. O procurador federal do estado, Michael Heyman, disse nesta sexta-feira, 30, que o caso avança de forma "intensa e rápida", segundo o Metrópoles.

O senador republicano Dan S. Sullivan tenta a reeleição contra a democrata Mary Peltola. Na cédula aparece também Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado de Petersburg, no sudeste do estado, registrado como republicano. Ele integra a lista dos quatro candidatos mais votados na primária de agosto, ao lado de Peltola, do senador e de Gerald Heikes.

O que pede a ação do Departamento de Justiça

Em ação protocolada na quinta-feira, 22, na Justiça federal, o Departamento de Justiça pede que o Alasca fique impedido de certificar o resultado se o senador perder por menos votos do que o homônimo receber. O pedido vale enquanto se apura se eleitores marcaram o nome errado. A base legal citada é a Lei Nacional de Registro de Eleitores, segundo a Al Jazeera.

Questionado sobre a iniciativa, o presidente Donald Trump assumiu a autoria: "Fui eu quem disse para fazer isso". Nenhum tribunal federal mandou o Alasca suspender a certificação até o momento.

Na primária, Peltola teve 49,5% dos votos e Sullivan, cerca de 41%. A Suprema Corte do Alasca já havia decidido em junho que o segundo Sullivan pode ficar na cédula, depois de as autoridades eleitorais o terem desclassificado de início.

A reportagem do New York Times e as negativas

O reforço do FBI veio depois de uma reportagem do New York Times, segundo a qual integrantes da campanha de Peltola e do braço do Partido Democrata para o Senado teriam ajudado a recrutar Daniel J. Sullivan Jr. para concorrer. Heyman afirmou que o texto levou à designação de mais promotores e de mais recursos do FBI para o caso.

Peltola nega ter conhecimento de qualquer iniciativa desse tipo. "Estou profundamente ofendida por essas acusações de envolvimento com a candidatura de outra pessoa", declarou. O Comitê Democrata de Campanha para o Senado também rejeita envolvimento, e o professor diz não ter coordenado sua candidatura com a campanha dela. Não há acusação formal contra ninguém.

A cédula identifica o titular como "Sullivan, Dan S (Registered Republican) Incumbent" e o outro como "Sullivan, Daniel J Jr", sem indicação de partido. Glenn Wright, professor de ciência política da Universidade do Alasca Sudeste, disse à Al Jazeera que as cédulas são "super, super, super claras" sobre quem é o senador.

O que dizem os professores sobre a ação

Forrest Nabors, chefe do departamento de ciência política da Universidade do Alasca em Anchorage, considerou a intervenção federal "incomum", mas afirmou que o episódio pode mudar o resultado se a margem for estreita e eleitores do senador votarem no outro Sullivan por engano. Ele acrescentou que a ação, mesmo sem decisão a tempo, ajuda a alertar o eleitorado.

Derek Muller, professor de direito eleitoral da Universidade de Notre Dame, classificou o argumento jurídico do governo como "tão absurdamente frágil" que haveria "essencialmente nenhuma chance de sucesso". Ele também questionou por que o Departamento de Justiça esperou até perto da votação, se a disputa sobre os dois candidatos era conhecida havia meses.

O Alasca usa voto por ordem de preferência. Se ninguém passa de 50% nas primeiras escolhas, o menos votado é eliminado e seus votos migram para o segundo nome de cada cédula. Quem marcou o outro Sullivan e listou o senador em segundo lugar teria o voto transferido, mas o eleitor não é obrigado a classificar todos os candidatos, e parte dos votos pode não migrar.

O resultado pesa no controle do Senado. Os republicanos têm 53 das 100 cadeiras, e os democratas e dois independentes aliados somam 47. A oposição precisa de ganho líquido de quatro vagas para chegar a 51. Para o cenário completo da votação de terça, veja a cobertura das midterms no Resenhando.