ONU aprova fim do embargo a Cuba com 130 votos, o menor apoio em 30 anos
Argentina, Colômbia, Paraguai e Equador estão entre os 17 países que votaram contra; abstenções saltaram de 1 para 25
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A Assembleia Geral da ONU aprovou na quarta-feira, 28, a resolução anual que pede o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba, mas com o menor apoio em 30 anos: 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, segundo a Agência Brasil. Em 2025, a mesma resolução somou 165 votos favoráveis e sete contrários.
O texto não obriga ninguém. O embargo só acaba por decisão do Congresso americano, de modo que a votação funciona como termômetro diplomático, e o termômetro caiu.
Quem votou contra o texto cubano
Até 2024, só Estados Unidos e Israel votavam contra. Neste ano a lista chegou a 17 países: Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Israel, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e Estados Unidos, conforme a lista publicada pela Agência Brasil.
Na lista aparecem seis países da América Latina e do Caribe: Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, Paraguai e Trindade e Tobago. As abstenções subiram de uma, em 2024, para 25, e incluem Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, países que costumavam acompanhar Havana. A agência atribui a queda a uma campanha do governo de Donald Trump para que aliados rejeitassem a resolução.
A série histórica ajuda a medir a distância. Em 1992, na primeira votação, 59 países apoiaram o fim do embargo. O recorde foi de 191 votos entre 2015 e 2017, no período da reaproximação entre Washington e Havana sob Barack Obama. O Brasil votou a favor, como em quase todas as edições. As exceções foram 2019, quando votou contra, e 2021 e 2022, quando se absteve.
O voto argentino segue a linha de aproximação de Javier Milei com Washington, tema que o Resenhando já tratou ao detalhar o alinhamento com Trump.
O que diz o governo cubano
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, chamou o resultado de "grande vitória" do povo cubano em entrevista à Agência Brasil. À mesma agência afirmou que a ilha avalia como real o risco de uma invasão americana e que a acusação de Washington de que Cuba é uma ameaça à segurança nacional dos EUA é "ridícula". São declarações de uma parte interessada e não foram confirmadas por fonte independente.
O diplomata também atribuiu ao embargo a morte de mais de 1.500 crianças e citou mortalidade infantil que teria passado de 4,4 para 9,9 por mil nascimentos entre 2025 e 2026. A Agência Brasil reproduz os números como ditos pelo embaixador, sem indicar fonte oficial independente, e o mesmo vale aqui. Cuba atribui a crise de energia, combustível e medicamentos às sanções; Washington sustenta que as medidas pressionam o governo do Partido Comunista, no poder desde 1959.
O que acontece agora no Brasil
Os efeitos já chegam ao país. Os cubanos aparecem no topo dos pedidos de refúgio no Brasil, como o Resenhando mostrou ao reportar os dados do Obmigra e do Conare. A pressão americana sobre a ilha, que inclui sanções a empresas que negociem com Cuba e a prisão decretada pela Justiça dos EUA contra o ex-presidente Raúl Castro neste mês.
A resolução voltará à pauta da Assembleia Geral em outubro de 2027. A lista nominal de votos fica no registro de votações da ONU.