Dívida pública sobe a R$ 9,38 trilhões em setembro; só os juros somaram R$ 89,3 bilhões
Tesouro emitiu apenas R$ 3,78 bilhões acima dos resgates; com a Selic em 13,75%, a apropriação de juros pesou mais que a emissão
A Dívida Pública Federal (DPF) fechou setembro em R$ 9,383 trilhões, alta de 0,97% sobre os R$ 9,293 trilhões de agosto, segundo o Tesouro Nacional, em números divulgados nesta quinta-feira, 29. O que empurrou o estoque para cima não foi dinheiro novo: foram R$ 89,29 bilhões de juros incorporados à dívida em um único mês.
O Tesouro emitiu R$ 3,78 bilhões em títulos a mais do que resgatou, um volume baixo para os padrões históricos, conforme a Agência Brasil. Mesmo assim a dívida cresceu, porque os juros são somados ao estoque mês a mês. Com a Selic em 13,75% ao ano, essa apropriação pesa mais que qualquer emissão.
A dívida pública mobiliária interna, a parte em títulos no mercado brasileiro, avançou 1,04%, de R$ 8,944 trilhões para R$ 9,037 trilhões. A dívida externa foi na direção contrária: caiu 0,82%, para R$ 345,41 bilhões, com o dólar estável no mês e cerca de R$ 3 bilhões de pagamentos correntes.
Selic ainda domina a composição da dívida
Os títulos atrelados à Selic passaram de 52,74% do estoque em agosto para 51,6% em setembro. A queda decorre do alto volume de vencimentos desses papéis no mês, segundo o Tesouro. Em agosto, o Resenhando mostrou que a fatia da Selic estava no maior nível da série e que o custo médio da dívida subia a 12,59%.
Os demais grupos ficaram assim em setembro, comparados a agosto:
- títulos corrigidos pela inflação: 23,59% (eram 23,22%);
- prefixados: 21,14% (eram 20,31%);
- vinculados ao câmbio: 3,67% (eram 3,74%).
O Plano Anual de Financiamento, revisado em agosto, prevê que o estoque da DPF termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Para a fatia da Selic, a faixa é de 49% a 53%, e os 51,6% de setembro estão dentro dela. O estoque total está abaixo do piso da projeção: faltam R$ 317 bilhões para chegar a R$ 9,7 trilhões e R$ 917 bilhões para o teto de R$ 10,3 trilhões.
Quem financia e quanto vence
O prazo médio da dívida ficou em 4,1 anos, igual ao do mês anterior. O Tesouro tem R$ 1,87 trilhão em títulos federais a vencer nos próximos 12 meses. A reserva financeira do governo, o chamado colchão, subiu de R$ 1,208 trilhão para R$ 1,273 trilhão e cobre 7,71 meses de vencimentos.
Entre os detentores da dívida interna, instituições financeiras têm 31,33%, fundos de investimento 22,93%, fundos de pensão 22,41% e demais grupos 13,76%. Os estrangeiros baixaram de 9,91% para 9,58%. A Agência Brasil relaciona a saída à tensão nos mercados em setembro, com a guerra no Oriente Médio.
O Tesouro publica o relatório mensal completo no portal Tesouro Transparente.