Economia

Copom corta a Selic para 14% com dívida pública em R$ 9,27 trilhões

Quarta redução seguida da taxa básica ocorre com apropriação de juros de R$ 93,48 bilhões em um único mês

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano na reunião encerrada nesta quarta-feira, 5 de agosto, em Brasília. O corte de 0,25 ponto percentual é o quarto consecutivo e entra em vigor nesta quinta-feira, 6.

A decisão saiu na 280ª reunião do colegiado, realizada em dois dias. No comunicado, o Copom afirmou que o "novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação" e registrou que "essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica". O texto não indicou o tamanho do próximo movimento.

O ciclo de afrouxamento começou em 18 de março, quando a taxa saiu de 15% para 14,75% ao ano. Seguiram-se cortes de igual tamanho em 29 de abril e em 17 de junho. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.

O estoque da dívida e a conta dos juros

A taxa básica é o principal parâmetro do custo de rolagem da dívida do governo federal. Segundo o Relatório Mensal da Dívida, divulgado pelo Tesouro Nacional em 29 de julho, o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) passou de R$ 9,032 trilhões em maio para R$ 9,268 trilhões em junho, alta nominal de 2,61%.

O aumento de R$ 235,7 bilhões em um mês teve duas origens. A emissão líquida de títulos respondeu por R$ 142,25 bilhões. A apropriação positiva de juros, que é o encargo incorporado ao estoque pelo simples decorrer do tempo, somou R$ 93,48 bilhões.

  • Dívida Pública Federal: R$ 9,268 trilhões em junho
  • Dívida Mobiliária Federal interna: R$ 8,920 trilhões
  • Dívida Pública Federal externa: R$ 347,71 bilhões, ou US$ 67,17 bilhões
  • Apropriação de juros em junho: R$ 93,48 bilhões

A parcela da dívida indexada à Selic é a que responde de forma mais direta à decisão desta quarta. Nos títulos pós-fixados, cada alteração da taxa básica altera o custo de carregamento a partir da vigência, sem esperar o vencimento do papel. Nos prefixados, o efeito aparece apenas nas novas emissões, quando o Tesouro leva a nova taxa a leilão.

O que o mercado projeta até dezembro

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, divulgado em 3 de agosto, projeta a Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026. A estimativa para o IPCA do ano passou de 5,12% para 5,03%, patamar que segue acima do teto da meta.

Se a projeção do Focus se confirmar, resta um único corte de 0,25 ponto até dezembro. O comunicado desta quarta não fecha essa porta nem a confirma, e a autoridade monetária vem evitando sinalizar o passo seguinte com antecedência.

Procurado, o Banco Central não comenta a decisão além do que consta no comunicado, prática padrão do colegiado. A ata da reunião, com o detalhamento dos argumentos, é publicada na terça-feira seguinte.

O Tesouro Nacional divulga mensalmente o Relatório Mensal da Dívida, com dados de emissões, resgates, estoque, prazo médio de vencimento e custo médio da Dívida Pública Federal. O próximo documento, referente a julho, sai em agosto e trará o primeiro retrato do estoque já sob a nova taxa.

A conta dos juros pressiona o Orçamento por mais de um caminho. Em julho, o Conselho Nacional de Previdência Social aprovou proposta orçamentária que prevê R$ 1,224 trilhão para a Previdência em 2027, alta de 7,7% sobre o exercício anterior.

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