Economia

Brasil mantém o maior juro real do mundo mesmo com Selic a 13,75%

O levantamento da MoneYou põe o país em 8,45%, contra média de 1,62% entre os 40 países pesquisados

O Brasil segue com o maior juro real do mundo mesmo depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortar a Selic para 13,75% ao ano, na quarta-feira, 16. O país aparece no topo do ranking elaborado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, divulgado no mesmo dia da decisão.

O juro real brasileiro está em 8,45%, calculado pela taxa de mercado para os próximos 12 meses descontada a inflação projetada para o mesmo período. A conta considera a Selic em 13,75% e a inflação de 4,71% projetada pelo boletim Focus do Banco Central.

Como fica o ranking

O Brasil aparece à frente de países com histórico de juros elevados. Segundo o levantamento, a lista dos maiores juros reais tem esta ordem no topo:

  • Brasil: 8,45%
  • Rússia: 6,79%
  • Colômbia: 6,33%
  • Turquia: 6,25%

A média dos 40 países considerados na pesquisa é de 1,62%. A distância entre o Brasil e essa média é de 6,83 pontos percentuais. O cálculo usa a equação de Fisher, que desconta a inflação esperada da taxa nominal de juros.

O corte e o que o Copom disse

A redução de 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75%, foi o quinto corte consecutivo e a decisão foi unânime. No comunicado, o Copom afirmou que os indicadores apontam "moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos", ainda que em patamar resiliente.

Sobre os preços, o comitê registrou que "a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta". O boletim Focus divulgado na segunda-feira (14) já projetava a Selic encerrando 2026 em 13,75%, sem novos cortes até dezembro.

A conta que o contribuinte paga

O juro real mais alto do mundo tem efeito direto sobre a despesa financeira do Tesouro Nacional, já que parte relevante da dívida pública federal é remunerada por taxas atreladas à Selic. Quanto maior o juro real, maior a parcela do orçamento comprometida com o serviço da dívida, antes de qualquer despesa com saúde, educação ou segurança.

Do lado do crédito privado, a taxa elevada encarece financiamento de capital de giro, crédito imobiliário e crédito ao consumo. Entidades industriais e sindicais que se manifestaram após a decisão classificaram a queda como tímida diante do patamar em que a taxa se encontra.

A próxima reunião do Copom está prevista para dezembro. Com a projeção do Focus estacionada em 13,75%, o cenário de consenso do mercado é de manutenção até o fim do ano.

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